segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Pausa

Com o aproximar da época de exames, irei fazer uma pausa aqui no blog. Este será, provavelmente, o último post de 2008.

Bom Natal a todos e até ao próximo ano.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

A revitalização pelo Estatuto

O Estatuto dos Açores vai, ao que tudo indica, ser hoje confirmado na Assembleia, com maioria de dois terços dos votos.

O dia de hoje marcará, portanto, o final oficial da cooperação estratégica do eixo Belém-São Bento, e tornará o ano de 2009 ainda mais difícil para Sócrates. A afronta explícita aos poderes do Presidente da República, feita pelo Estatuto, irá colocar Cavaco e Sócrates num clima de guerra aberta sem fim à vista.

Isto pode ser bastante prejudicial para Sócrates. Ao afrontar o Presidente, perde um importante aliado no cenário da política portuguesa e, acima de tudo, perde o silêncio do Presidente, que tão útil lhe tinha sido na adopção de medidas polémicas. É certo que, a partir de agora, também não podemos esperar que seja Cavaco a exercer oposição contra Sócrates.

Essa tarefa cabe, primacialmente, ao PSD, e é necessário que Manuela Ferreira Leite saiba aproveitar bem este momento. O PSD, a partir de agora, tem mais condições para fazer oposição a Sócrates, porque deixa de sofrer do constrangimento de, ao criticar Sócrates, atingir indirectamente o Presidente, que apoiava muitas das medidas do Governo socialista.

No entanto, julgo que o PSD terá de mudar bastante para poder aproveitar esta oportunidade. A ideia de desorganização e desgoverno interno ainda circula na sociedade portuguesa, tantas foram as mudanças na liderança nos últimos anos. E, se é certo que o PSD não precisa, neste momento, de um novo líder, é também óbvio que esta liderança precisa de agilizar processos e de uma boa dose de marketing político para conseguir revitalizar a sua forma de fazer oposição.

A oportunidade é única e, para o PSD, talvez até seja bom que o Estatuto dos Açores seja hoje confirmado na Assembleia. Mas é necessário que o PSD, de ora em diante, se comporte como uma verdadeira alternativa de poder, e não como uma manta de retalhos, que caminha sem direcção definida.

O ano de 2009 está á porta, e o PSD tem oportunidade de fazer estragos na maioria absoluta do PS.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

O CDS e Paulo Portas

O CDS, pretensa terceira força política portuguesa, está a encolher. Esta semana, e pela segunda vez num curto espaço de tempo, inúmeros militantes entregaram o seu cartão e abandonaram o partido, como forma de protesto para com a gestão de Paulo Portas.

A meu ver, o grande erro de Portas foi o elevado grau pessoal que ele imprimiu ao partido. O CDS passou a ser PP, mas não por ser Partido Popular. Passou a ser PP porque Paulo Portas monopolizou o partido de tal forma que, neste momento, o CDS não existe sem Paulo Portas, nem Portas existe politicamente sem o "seu" CDS.

Obviamente que um líder, quando está à frente de um partido, tem sempre tendência a moldá-lo de acordo com o seu gosto. Mas no caso de Portas, ele não moldou o CDS a seu gosto; ele erigiu um novo CDS à volta da sua pessoa. E isso fez com que o CDS "do antigamente" perdesse a sua identidade básica e alguns dos seus princípios essenciais, para se tornar na projecção institucional da figura do seu líder.

Mas também é certo que Portas tem muito mérito. Graças a ele, o CDS foi um partido de Governo, coisa que parece pouco provável num futuro próximo. Se Durão Barroso não se tivesse ido embora, quem sabe onde poderia estar neste momento o CDS? Seria certamente a terceira força política, e teria margem de manobra para condicionar uma governação, quer do PS, quer do PSD.

O grande problema é que Portas não vive sem o CDS, e o CDS não vive sem Portas. O grau de envolvimento entre Portas e o CDS é tal, que já não passam um sem o outro (veja-se como o vício de falta de poder afectou Portas enquanto Ribeiro e Castro foi líder). E isto é que complica tudo, quer ao CDS, quer a Portas.

O CDS está numa posição delicada porque, ainda que houvesse outro líder, a sombra de Portas pairaria sempre, tal como ocorreu com Ribeiro e Castro. Nenhum líder, além do actual, estará seguro no CDS enquanto Portas "andar por aí". Portas conseguiu "secar" o CDS, de forma a que não seja concebível este partido sem Portas na liderança.
E isto é perigoso para o CDS, que se vê dividido entre um líder razoável, mas que dificilmente brilhará nas eleições, ou um abismo gigantesco, por falta de alternativas viáveis.

A excessiva pessoalização do CDS também pode sair cara a Portas. E estas desfiliações, apesar de poucas, deveriam chamar-lhe a atenção para isso. Portas, ao aplicar a lei do "quero, posso e mando" dentro do seu partido, arrisca-se a criar divisões onde elas não deveriam existir. E, como é lógico, uma divisão pequena num partido pequeno como o CDS tem muito mais impacto nos votos do que uma divisão pequena num partido grande, como o PSD ou o PS.
Num partido grande, se saem 100 militantes é relativamente indiferente. Num partido pequeno, é a união que faz a força, e todos os votos, militantes e influências podem ser decisivos numas eleições.

Era bom que Portas reflectisse um pouco, e que cedesse na sua lógica centralizadora do partido. Assim, evitar-se-iam divisões e saídas desnecessárias, não haveria má publicidade para o partido, e não se correria o (sério) risco de ver o CDS ser ultrapassado pelo Bloco de Esquerda nas várias eleições do próximo ano.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Faltas de presença

No meio da falta de imaginação da semana passada, acabei por me esquecer de abordar a questão das faltas dos deputados.

Sem prejuízo de já ir um pouco fora de tempo, julgo que há vários aspectos que merecem ser focados.

Em primeiro lugar, a falta de profissionalismo dos faltosos. É verdadeiramente indecente que uma pessoa, eleita para um lugar num órgão de soberania representativo de toda a população, falte sem dar qualquer justificação ou, pior ainda, assine o livro de ponto e saia posteriormente. Gestos desta natureza não abonam a favor da classe política que, segundo muitos estudos, é das que têm pior conotação dentro da sociedade portuguesa.
Um profissional, independentemente da sua remuneração (mas tendo sempre em conta que os deputados não ganham nada mal..), tem de ter brio naquilo que faz. Não é uma questão de amor à camisola, como se costuma dizer. É uma questão de mero respeito para com o cargo que exerce e o lugar que ocupa. Pode até nem gostar de fazer o seu trabalho, ou estar ali contrariado, mas tem de ter sempre a noção de que tudo aquilo que fizer enquanto desempenhar aquele cargo tem de ser feito com profissionalismo e dedicação.

Depois, é de destacar ainda a falta de coordenação do grupo parlamentar do PSD. Numa votação onde podiam ter colocado o PS numa posição difícil, o PSD não teve a força necessária para afastar dos seus deputados a tentação de partir mais cedo para um fim de semana prolongado. Esta falta de capacidade de mobilização, além de deixar ver a falta de profissionalismo que realcei acima, transparece ainda uma grave crise de militância, já que houve 30 pessoas que não trocaram um fim de semana prolongado pela defesa de uma causa relacionada com o partido que representam.

Por fim, falta destacar a leveza com que o assunto foi encarado. E a personificação dessa leveza (apesar de fisicamente não o parecer...) é Guilherme Silva, deputado do PSD, que defendeu o fim dos plenários à sexta-feira. Não sei se ele esteve presente nessa votação, ou se deu uma desculpa esfarrapada para faltar, mas o simples facto de ter feito esta sugestão demonstra bem o grau de profissionalismo que reina entre os nossos deputados.
Nesta sugestão, Guilherme Silva apostou na velha táctica do "se não podes vencer, junta-te a eles". Os deputados faltam à sexta-feira? Pois bem, crie-se uma lei que os desobrigue de comparecer na AR à sexta-feita. O número de roubos tem aumentado? Nada mais simples...crie-se uma lei que descriminalize o roubo, e esses números baixarão num instante.

Enfim, são gestos destes que acentuam bem o descrédito existente para com os políticos. Talvez fosse melhor acabar com eles. Assim, acabava-se também o descrédito...

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Branca

Peço desculpa aos leitores, mas estou sem imaginação esta semana.

Para a semana tento novamente...

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Começou a guerra

O PS deu uma argolada de todo o tamanho ao não ter alterado o Estatuto dos Açores. Em primeiro lugar, comprou uma guerra com quem menos lhe interessava (já lhe bastam os professores, os alunos e sabe-se lá que mais...). Depois, fez birra numa questão menor e que, directamente, pouco lhe dizia respeito.

Com tudo isto, o PS (e o Governo) perdeu o maior aliado não governamental que tinha neste momento. Cavaco, até aqui, tinha sido um Presidente contido nas suas declarações, rápido a elogiar e discreto nas críticas que fazia. E isto é facilmente comprovável: basta falar no suspense gerado pela declaração que Cavaco fez em Julho para ver quão discreto tinha sido Cavaco até então acerca dos Açores.

A partir daqui, nada será como dantes.

Acredito plenamente que Cavaco não desate a criticar Sócrates e o Governo publicamente, mas estou certo que, em privado, a tal cooperação estratégica não vai ter nem cooperação nem estratégia comum, e que vai ser cada um por si.

Claro que os poderes presidenciais são de tal forma escassos que Cavaco não vai poder fazer mais do que vetar umas quantas leis para poder ir dando umas alfinetadas a Sócrates.

Mas, de qualquer forma, será mais um inimigo ganho pelo Governo, e que nada o ajudará numa altura em que as eleições estão próximas.

Dualidade de critérios

Há uma coisa que me tem intrigado nos últimos tempos, e que não tem nada que ver com política, economia ou qualquer outro assunto da actualidade.

Falo das famosas séries da televisão norte-americana. Neste momento, além de Dr.House, sigo também a nova série de 30 Rock (muito bom, mesmo antes dos Emmy) e ainda "Samantha Who?". No fundo, são séries leves, com bastante sentido de humor, e que permitem descontrair no final da semana.

No entanto, apesar de serem leves e humorísticas, há um aspecto que me deixa perplexo.

Nestas séries que acompanho (e em muitas outras de que já ouvi falar), os personagens têm o hábito de sair do trabalho e ir, como se costuma dizer, "beber um copo". Ora, até aqui, nada de mal. Mas depois, chegam a casa e o que fazem? O jantar, cuja confecção é acompanhada por um copo de vinho. Depois do jantar, quais são os planos? Sair para um bar e ficar na farra até às tantas, com a respectiva dose de bebidas à mistura.

Apesar de não ser um fundamentalista abstémio (e de nem sequer ser abstémio...) faz-me uma certa confusão que se faça uma tal apologia do alcool em séries que, para os padrões rígidos dos EUA, estão classificadas para maiores de 12 anos. Qualquer pessoa que veja isto acha perfeitamente natural que se beba todas as noites, que se saia todas as noites e que um dia de trabalho não esteja completo sem uma ida ao tal bar com os amigos.

Mas mais confusão me faz que, nas mesmas séries onde se incentiva ao consumo do alcool, seja um crime de lesa-pátria um personagem acender um cigarro. Ou melhor, um dos personagens até poderá eventualmente acender um cigarro mas é quase certo que esse será o mau da fita.

Impressiona-me sobretudo a dualidade de critérios. Num caso, promove-se o consumo regular de alcool. Quanto aos cigarros, só se acendem para criticar as personagens que o fazem.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Já que simplificam o divórcio

Com esta nova lei do divórcio, que tudo simplifica e tudo desburocratiza (incluindo os anos de vida em comum e respectivos filhos que daí provêm), venho prestar um enorme serviço (quase serviço público) para as pessoas que não sabem o que hão de dar a amigos ou familiares que estejam para casar.

A minha sugestão é a seguinte:

Exactamente. Um bloco-notas. E para quê?

É muito simples. Com todas estas novas regras de compensação de créditos entre cônjuges, o melhor é mesmo ter um bloco-notas à mão para ir apontando as contribuições financeiras de cada um para aquela família que, mais tarde ou mais cedo (e pela lógica socialista) irá sucumbir ao divórcio e ficar irremediavelmente separada.

Portanto, aqui fica a sugestão. É barato, simples e dá jeito. Mais dia menos dia, ainda vamos ver o nosso "Primeiro" a distribuir kits de blocos-notas nas Conservatórias e Igrejas aos recém-casados.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Não somos comunas, apesar de parecermos

Nos últimos dias, qualquer estrangeiro que tenha chegado a Lisboa e tenha passeado um pouco pela cidade, vai ficar a pensar que está na China ou na Coreia do Norte.

O motivo? O Congresso do PCP, que encheu inúmeras praças da capital com bandeiras comunistas (incluindo a Praça Francisco Sá Carneiro, o qual, neste momento, deve ter dado várias voltas na tumba...).

Ou seja, autoriza-se que um partido que faz propaganda a uma ideologia que matou mais de 20 milhões de pessoas inunde Lisboa com bandeiras e cartazes, como se vivêsssemos sob o seu jugo.

Uma pequena questão: e se fossem o PNR a fazer isto? Ainda haveria bandeiras espalhadas pela cidade?

Duvido...

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Cavaco, Dias Loureiro e o BPN

O caso BPN está a revelar-se um grande problema para Cavaco Silva. Por um lado, tem suspeitas de que estaria a haver tentativas de associar o seu nome ao Banco. Por outro, tem o caso Dias Loureiro.

Quanto ao primeiro problema, julgo que Cavaco fez bem em distribuir o comunicado. Com isso, renovou a ideia de transparência, e conseguiu afastar as suspeitas antes que elas fossem manchete num qualquer jornal, o que seria terrível para a imagem do Presidente.

O segundo problema é bastante mais delicado, e exige algum cuidado e ponderação. Como membro do Conselho de Estado, Dias Loureiro tem o poder de aconselhar o Presidente. Um poder que é, inclusivamente, diferente do dos outros membros, porque Dias Loureiro foi escolhido directamente por Cavaco, enquanto que os outros, ou estão no Conselho de Estado por inerência de outros cargos que ocupam, ou então foram eleitos pela Assembleia da República.

Portanto, o facto de Dias Loureiro ser escolhido directamente por Cavaco demonstra bem a confiança existente entre ambos.

Em princípio, essa confiança seria suficiente para que Cavaco estivesse a par de todos os outros assuntos profissionais de Dias Loureiro e, julgo eu, também seria suficiente para que Cavaco já soubesse de tudo o que se passava no BPN, quer Dias Loureiro tenha responsabilidades nisso quer não as tenha.

O grande problema é que, em Portugal, qualquer pessoa que é acusada ou indiciada da prática de um crime, desde que seja minimamente conhecida, tem tempo de antena numa qualquer televisão para tentar esclarecer os portugueses da sua inocência. O problema aqui é que nem os portugueses são juízes, nem os estúdios de televisão são tribunais.

E aqui é que Dias Loureiro errou grosseiramente. Mais valia ter ficado bem calado e, se fosse chamado, ter ido aos sítios próprios prestar os esclarecimentos necessários. Esta situação de virgem ofendida que vai à RTP demonstrar o seu total desconhecimento dos crimes praticados no BPN não fica bem a Dias Loureiro, porque põe os portugueses como juízes de algo que não lhes compete a si decidir.

Dias Loureiro tem, portanto, de se preocupar em esclarecer o Ministério Público, a PJ e os Tribunais judiciais, caso lhe seja pedido que o faça. Não pode simplesmente chegar à RTP e debitar a sua inocência, arriscando-se a ver os seus factos a serem desmentidos publicamente.

Neste momento põe-se o problema: poderá Cavaco tolerar que o seu Conselho de Estado possa ver reduzida a sua credibilidade, por causa de um membro por si escolhido?

A meu ver, não.

Cavaco, com toda a confiança e amizade que tem com Dias Loureiro, deve chamá-lo a Belém e pedir-lhe, ainda que a lei não o preveja expressamente, que ele cesse as suas funções no Conselho de Estado.

E, se essa confiança e amizade existir, Dias Loureiro não hesitará em abandonar o Conselho de Estado, poupando Cavaco a um escândalo que nada lhe convém enquanto Presidente da República.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Prémios


A Maria João Marques (ou Carmex), do blog Farmácia Central galardoou gentilmente o Intromissões, juntamente com outros blogs, com o Prémio Dardos.

De acordo com as regras, cabe-me agora escolher 15 blogues (ou talvez menos..) para eu próprio galardoar com o Prémio Dardos.

E os escolhidos são:

A outra varinha mágica, de Nuno Nogueira Santos

O Reaccionário, do Reaccionário

O Sexo dos Anjos, de Manuel Azinhal

Corpo Dormente, de Bruno Nogueira

E fico por aqui. que já estou cansado de fazer tantos links..

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Falando de gaffes...

Isto não é gaffe. É falta de vergonha na cara...

Sócrates entregou Magalhães só para a fotografia.

José Sócrates esteve na Escola do Freixo, em Ponte de Lima, a entregar computadores aos alunos do 1.º ciclo. Mas, depois de o primeiro-ministro ir embora, as crianças tiveram de devolver os Magalhães.

Vi n' O Reaccionário.

Da ironia ou como perder umas eleições

Manuela Ferreira Leite sugeriu ontem suspender a democracia por seis meses para pôr isto tudo em ordem.

Ignoro se o fez com ironia ou não. Mas é óbvio que uma candidata a primeira-ministra não pode, nunca e em qualquer caso, revelar uma ideia (ainda que irónica) de que seria mais correcto proceder-se a uma suspensão da democracia.

A ironia é uma figura de estilo complicada. O seu uso deve ser tão moderado quanto possível e, quando se recorrer a ela, deve ter-se a certeza de que todos os espectadores (directos ou indirectos) irão perceber o seu uso e o seu contexto.

E foi aqui que MFL falhou, caso se considere que esta expressão foi irónica. Conforme se viu, MFL não se certificou de que todos tinham percebido que se tratava de uma ironia, e deu a manchete de mão beijada aos inúmeros jornalistas que estavam presentes.

E o mais grave de tudo é que MFL percebeu isso. E demonstrou que tinha percebido. Basta ver as imagens para concluir isto. Depois desta célebre frase, MFL calou-se, olhou para os papéis (provavelmente pensou "Agora é que me lixei") e, pelo que as televisões mostraram, continuou o seu discurso, com óbvias dificuldades, dado a enorme gaffe que tinha dito antes.

Agora, como se costuma dizer, MFL descascou o pepino, e vai ter de comê-lo... A questão da suspensão da democracia vai-lhe ser atirada à cara durante muito tempo, e vai impedi-la, nas legislativas, de entrar no eleitorado de centro-esquerda (acima de tudo), com MFL a perder uma belíssima oportunidade para roubar votos ao PS nesse sector, dada a crise com os professores e com o novo Código do Trabalho.

Estas declarações provam ainda o extremo cuidado que os políticos têm de ter quando ambicionam qualquer cargo politicamente importante. Com os seus passos a serem permanentemente seguidos, devem (infelizmente, em certos casos) evitar brincar, ironizar ou fugir um pouco do plano que têm traçado.

A Comunicação Social não perdoa (e ainda bem que o faz, desde que o faça de forma imparcial).

E assim, muito provavelmente, se perderam umas eleições...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

O precedente certo...mas errado

A Ministra da Educação está, indubitavelmente, debaixo de fogo. Desde estudantes e professores, comentadores e jornalistas, todos têm caído em cima da Ministra com este novo caso da avaliação dos professores.

Hoje mesmo, a Ministra veio tentar suavizar a contestação dos estudantes, modificando o Estatuto do Aluno que, incompreensivelmente, continha uma norma que previa que um aluno que faltasse por um motivo justificado, seria submetido a um exame onde, caso chumbasse, chumbaria também o ano.

A intenção da Ministra (tentar demonstrar compreensão e bondade para com os estudantes) é louvável, mas neste momento, não será isso que irá acabar com a guerra.

Isto porque os estudantes já não contestam para defender os seus direitos. Neste momento, os estudantes boicotam aulas e manifestam-se por solidariedade para com os professores. E, neste aspecto, há que tirar o chapéu aos professores, que estiveram brilhantes estrategicamente ao conseguirem atrair os estudantes para a sua luta, desgastando ainda mais a Ministra.

Portanto, a Ministra deu um enorme tiro no pé ao tomar esta medida. Em primeiro lugar abriu um precedente com esta cedência (que obviamente tinha de ser feita, mas que irá abrir caminho à saída de cena da "Ministra inflexível" para dar entrada a uma pseudo-"Ministra compreensiva"). Depois, além do precedente que abriu, esta medida não vai ser suficiente para calar alunos ou professores, que, segundo creio, irão forçar a saída da Ministra ainda antes do final de 2008.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dos Professores

A propósito do comentário deixado por Nuno Nogueira Santos no post abaixo, julgo ser interessante dizer algumas coisas acerca desta guerra titânica que opõe o Ministério da Educação aos Professores.

Em primeiro lugar, e a título de disclaimer: não voto PS, não gosto do PS e acho que os professores devem ser avaliados.

Uma pessoa que trabalhe, seja lá onde for e em que circunstâncias for, deve ser avaliado. De forma formal ou informal, todos os trabalhadores por conta de outrem em Portugal são avaliados. E esta avaliação é que permite distinguir os óptimos dos bons, os bons dos menos bons e os menos bons dos maus.

E é lógico que assim seja. Porque, se tanto se apregoa o direito á diferença, também as competências profissionais de cada um de nós são diferentes. Cada pessoa tem a sua forma de encarar e de viver a sua profissão. Uns fazem-no por gosto, outros por obrigação. Uns são naturalmente melhores, enquanto outros, por muito que se esforcem, nunca ultrapassam a mediocridade.

É a lei da vida.

Dito isto, é também natural que as pessoas que exercem bem o seu cargo devam ter certas regalias, que premeiem o seu esforço e as suas capacidades naturais para o exercício daquela profissão.

E estas regalias só podem ser dadas mediante uma avaliação, ou seja, uma lista que diga que aquela pessoa cumpriu os objectivos pré-estabelecidos com mérito. E esta avaliação tem de ser feita com rigor, de forma a que sejam premiados apenas aqueles que realmente o merecem.

No entanto, a avaliação pode ser feita de várias formas. Ou se contratam avaliadores externos, sem qualquer ligação àquela empresa em concreto, ou se opta por avaliadores internos. Contudo, uma coisa tem de ficar clara: aqueles que estão avaliados devem ter a mínima intervenção possível no processo de avaliação, não só para permitir que se concentrem no (bom) exercício da sua actividade, mas também para assegurar toda a credibilidade e transparência da dita avaliação.

No caso específico dos professores, a avaliação exige-se. Porque, como já disse acima, não podem ser todos igualmente excelentes e progredir na carreira apenas pelos anos de serviço que têm. A excelência é uma qualidade (quase um dom) que está presente em poucos, e são esses que devem ser especialmente premiados, e não metidos num saco juntamente com todos os outros.

Daí que os professores estejam errados quando criticam as quotas para as notas boas. É natural que essas quotas existam. Porque, caso contrário (e à típica maneira portuguesa) o professor mau arranjaria logo uma cunha junto do avaliador para também ser excelente, o que tornaria a avaliação numa coisa redundante.

Mas os professores estão correctos ao criticar o modelo de avaliação. A burocracia é extremamente elevada, e acredito perfeitamente que tire tempo aos professores para fazerem aquilo para que foram contratados: ensinar.
E é aqui que o Governo erra grosseiramente. Porque uma coisa é inflexibilidade para não recuar na medida de avaliar os professores (o que é correcto), mas outra coisa é ser inflexível e cego ao ponto de não admitir que podem existir outros modelos de avaliação bem menos prejudiciais para os professores.

O grande problema aqui é que, aos olhos da opinião pública, os professores começam a perder a razão que têm. Episódios como os dos ovos contra o carro da Ministra não podem ter sido obra exclusiva da cabeça dos alunos. Ou melhor, até podem, mas, caso o sejam, surgem apenas porque os professores excederam os limites na sua própria luta, seduzindo os seus alunos para entrarem na guerra.

E isso é inadmissível. Porque os alunos não são tidos nem achados na avaliação dos professores, e é aos professores que compete abrir os olhos do Governo.

E isto não se faz através de incitações à violência. Faz-se com conversas e muita diplomacia, coisa que já se percebeu que nenhuma das partes envolvidas tem...

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Um pequeno aparte...

Depois de Tony Carreira e Popota, o Continente vai apostar noutros duetos, como estes:



Transparência na concorrência

O Ministro da Economia achou perfeitamente normal a nomeação do seu procurador, em negócios pessoais, para o cargo de Presidente da Autoridade da Concorrência (AdC).

Obviamente que há certos cargos que exigem confiança pessoal. E este é um deles, já que seria estranho o Ministro nomear (sendo, em último caso, responsável) uma pessoa que nunca tinha visto mais gorda e da qual não tinha quaisquer referências pessoais.

Mas a confiança, por muito pessoal que seja, não pode ser confundida com promiscuidade. E se, "à mulher de César não lhe basta ser séria...", neste caso, sendo Manuel Sebastião a "mulher de César", exigia-se-lhe uma transparência absoluta e uma ligação pessoal ao Ministro que fosse menos "intensa" do que uma relação de procurador em negócios avultados.

Porque, se eu nomeio alguém para me representar na venda de um prédio no Centro de Lisboa (que deve valer 1 milhão de Euros ou mais...), tenho de ter uma relação que vá além da mera confiança pessoal. A minha relação com essa pessoa tem de ser uma relação de amizade muito forte, não podendo ser apenas a relação de amizade normal entre homens de negócios.

Partindo do princípio que essa relação era de amizade forte, foi correcta a nomeação de Manuel Sebastião para Presidente da AdC?

A meu ver, não.

Porque se Manuel Pinho coloca um amigo na cúpula de um órgão que supostamente tem de vigiar um importante sector do Ministério a que ele preside, não está a ser totalmente transparente. A partir daí, muitas das tomadas de posição da AdC podem ser vistas como medidas de proteger o Ministro, amigo pessoal de Manuel Sebastião.

Por exemplo: quem nos garante a nós a exactidão dos relatórios da AdC no mercado dos combustíveis? Ninguém. Nem a própria AdC o garante, já que depois da sua apresentação, Portugal levou um puxão de orelhas da UE, que exigiu um estudo mais profundo da concorrência entre gasolineiras.

Por estas e por outras é que é necessário que um Ministro, ao escolher os Presidentes das entidades reguladoras, deve fazê-lo com extrema prudência. E se é certo que os amigos são para as ocasiões, não é menos certo que, quando em causa está a transparência da actividade económica, por vezes a ocasião faz o ladrão..

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Adenda (15h25m):

Além de tudo isto, o mais chocante é mesmo a forma como Manuel Pinho justifica a sua escolha, dizendo que Manuel Sebastião "até estudou na mesma Universidade de Obama". Simplesmente grotesco, mas não pode ser considerada uma surpresa, dado o nível intelectual que Pinho tem demonstrado enquanto Ministro.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Sugestão

O Jornal de Negócios lançou a versão deste ano do Jogo da Bolsa.

A inscrição é fácil, e a ideia é divertida. Pelo menos permite-nos a nós, leigos na matéria, investir directamente num mercado simulado, mas que se aproxima brutalmente do mercado real.

Acima de tudo, este jogo tem uma grande vantagem: dão-nos 100.000 Euros para as mãos, não pedem nada em troca, e podemos perder esse dinheiro todo que nada se passa (eu que o diga porque, hoje mesmo, "perdi" quase 9 mil Euros...).

Sejam rápidos. As inscrições fecham daqui a dois dias.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Obama: o novo Messias?

A eleição de Barack Obama fez esquecer a crise. Pelo menos, é o que parece. Apesar de não ter muita experiência no acompanhamento de eleições americanas, noto desta vez uma excitação que nunca tinha visto anteriormente.

Nunca, nos últimos 8 anos, tínhamos visto em directo a primeira conferência de imprensa do Presidente eleito. Nunca, desde que me lembro, tínhamos tido tanto alarido à volta de um candidato como agora. Nunca, em Portugal, foi notícia os passos do Presidente eleito nos dias após as eleições.

E, já agora, nunca (ou quase nunca) se tinha visto tanto facciosismo numa cobertura jornalística como se viu nestas eleições, com os diversos órgãos de comunicação a apoiarem Obama como se a sua vida dependesse disso. E, já que o apoiaram, pelo menos que o tivessem dito explicitamente, como fizeram alguns jornais dos EUA.

O Mundo (sobretudo a esquerda europeia e americana) está deslumbrado com Obama. Pior do que deslumbrados, diria mesmo que estão hipnotizados. Bebem as suas palavras como se fossem o elixir da vida e seguem Obama como se ele fosse o flautista de Hamelin.

O Mundo ainda não percebeu que Obama, apesar de bem intencionado, é apenas um homem. E que, como todos os homens, tem defeitos que nem um discurso moralizador de esperança consegue ocultar.

Resta saber quando é que o Mundo irá acordar desta letargia. A mim, parece-me que vai acordar tarde demais, e que vai confiar demasiado no suposto messianismo de Obama, esperando que ele resolva a crise num abrir e fechar de olhos.

Mas as crises (como todos sabem, excepto Manuel Pinho) não se terminam por decretos. As crises terminam-se com acções sólidas de restauração de confiança nos mercados. E há que acordar, de uma vez por todas, e perceber que Obama, apesar de bem intencionado, pretende aplicar medidas que podem não ajudar a acabar com a crise.

E há alguém que lhes diga isso?

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vitória étnica igual a Racismo

No blogue Atlântico (do qual sou leitor assíduo e que muito respeito) estabeleceu-se um paralelismo entre a vitória de Obama, nos EUA, e a vitória de Lewis Hamilton no Mundial de Fórmula 1, cuja última prova se disputou no Brasil.

O paralelismo estabelece-se dizendo que, à semelhança de Obama, a vitória de Hamilton foi outra "vitória étnica".

Ora, isto não faz qualquer sentido. Defender vitórias étnicas não passa de racismo. Porque não se diz "Ganhou Obama" ou "Ganhou Hamilton". Diz-se "Ganhou o preto". E isso é racismo (não pelo uso da palavra "preto" - que é utilizada, por exemplo, para nos referirmos a cores de roupas mas, estranhamente, há um grande medo em usá-la para nos referirmos à cor de pessoas) porque não nos referimos a Obama ou a Hamilton. Referimo-nos à cor da sua pele ou à sua etnia, discriminando-a.

Isto porque, ao classificarmos vitórias destas como "Vitórias étnicas", estamos a rotulá-las e a demonstrar a nossa surpresa por um (ou neste caso dois) preto ter conseguido ganhar as eleições americanas e o Mundial de Fórmula 1. Estamos como que a pensar que um preto nunca poderia chegar tão longe, e isso é racismo. Ao dizer-se isso, pensa-se que os pretos serão de alguma forma menos capazes, e que a vitória de um deles é motivo de júbilo suficiente para abarcar dentro de si uma etnia inteira.

Mas todos dirão que não. Rotulagens deste género, dirão, são discriminatórias "pela positiva" (que é uma expressão que nunca consegui perceber).

E se fosse ao contrário? Poderia eu dizer que, caso McCain (nos EUA) e Filipe Massa (na Fórmula 1), tivessem ganho, isso seria uma "Vitória étnica"?

Não. Nunca. Se eu dissesse isso, era racista. Estava a enaltecer o feito de uma raça e, consequentemente, a humilhar outra.

Enfim, com todo o meu respeito à Ana Margarida Craveiro, colaboradora do Atlântico, títulos como este são racistas e discriminadores. Não só dos pretos, que se vêem tratados como uma etnia tão má que nunca se lhes daria crédito suficiente para ganharem as eleições e a Fórmula 1, mas também dos brancos, a quem uma "Vitória étnica" nunca seria atribuída.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Yes we can?

A vitória de Obama nas eleições de ontem revela dois factos interessantes: em primeiro lugar, mostra que (ao contrário do que os europeus anti-McCain previam), a diferença entre os candidatos acabou por não ser assim tão grande. Depois, esta eleição de Obama para Presidente dos EUA mostra como os americanos são um povo um pouco ingénuo, que se deixa cativar facilmente por discursos ocos e utópicos, sem terem a preocupação de ver o que está por trás da imagem de Obama.

Em relação a Bush, Obama terá uma grande vantagem: vai ter os media do seu lado (agora que Bush irá sair, prevejo uma grande crise de criatividade para os seus detractores - nomeadamente Jon Stewart, Conan o'Brien, entre outros - que vão ter de inventar novos assuntos para os seus programas). O facto de ter os media do seu lado, permitirá a Obama continuar com o seu discurso de mudança, prometendo mundos e fundos, numa utopia que, pelos vistos, une agora a maioria do povo americano.

Mas um país não se governa com ideias. O povo não se satisfaz com a chegada da mudança, se essa mudança não lhes puser comida no prato e não lhes aliviar os encargos ao fim do mês.

Terá Obama algo mais para dar? Terá este homem ideias concretas que permitam recuperar a maior economia do Mundo e restaurar a confiança nos mercados internacionais? Terá Obama a habilidade de gerir questões sensíveis de política externa, como o Médio-Oriente, o Irão e a Coreia? Terá Obama os (perdoem-me a expressão) cojones de retirar as tropas americanas do Iraque (tal como prometeu)?

À partida, penso que muitas destas questões têm uma resposta negativa. Mas Obama tem 4 anos para provar o contrário..

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Psicologia da crise

Alguns autores, quer da blogosfera, quer da Comunicação Social, têm falado inúmeras vezes da crise que atravessamos. E muito se tem discutido acerca da crise: se é económica ou financeira, se já atingiu a economia real, de onde veio e para onde vai.

Mas ainda não vi uma abordagem a esta crise de um ponto de vista psicológico. Apesar de não ser psicólogo, julgo que uma componente muito forte desta crise é psicológica, e é ela que condiciona a recuperação da situação catastrófica a que chegámos.

Basta uma breve análise ao léxico utilizado ultimamente para se perceber que há muita psicologia por trás desta crise. Hoje em dia, fala-se em confiança, em rumores, em receios e, acima de tudo, em informação.

Com isto se prova que a crise é quase mais psicológica do que real. A economia e a matemática ajudam bastante na resolução da crise por serem ciências exactas. Mas é importante que não nos esqueçamos que quem sofre a crise na pele são as pessoas, e são essas mesmas pessoas que têm de ser o motor de recuperação para que as ciências exactas (matemática e economia) possam dar por finda esta crise.

A falta de confiança (seja ela das empresas ou dos particulares) não é um elemento palpável ou determinável. Mas é inegável que ela exerce um poder tal, que será muito difícil recuperar se não se restaurar a confiança das famílias e das empresas.

E temos ainda os rumores. Meros boatos que, caso sejam difundidos por certas e determinadas pessoas, têm o condão de instalar o pânico (que é uma reacção psicológica) nos investidores, e que podem deitar abaixo uma economia no espaço de horas.

Com tudo isto pretendo apenas transmitir uma ideia simples: no meio desta crise, os Governos, as entidades supervisoras e as empresas não se podem esquecer, em caso algum, que dependem das pessoas, e do seu estado psicológico, para pôr em prática as medidas que implementem através de decretos, leis ou regulamentos.

As leis, por si, nada resolvem. É necessário que as pessoas estejam psicologicamente dispostas a segui-las e, neste caso específico, a investir o seu dinheiro para que a economia recupere.

Portanto, fica aqui o aviso: no meio de todas as matemáticas, gráficos e previsões, é importante não nos esquecermos que dependemos todos uns dos outros para que esta situação melhore. E quanto mais rápido nos recuperarmos psicologicamente, mais depressa sairemos desta crise.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Soltemos o Sá Fernandes que há em nós

A ampliação da capacidade do terminal de contentores de Alcântara que o Governo inoportunamente se propõe levar por diante implicará a criação de uma muralha com cerca de 1,5 quilómetros com 12 a 15 metros de altura entre a Cidade de Lisboa e o Rio Tejo.

A zona de Alcântara estará sujeita a obras durante um período previsto de 6 anos, impossibilitando assim a população de aceder ao rio pelas “Docas”, levando ao fecho de toda a actividade lúdica desta zona, pondo em risco 700 postos de trabalho.Os terminais de contentores existentes nos portos de Portugal no final de 2006 tinham o dobro da capacidade necessária para satisfazer a procura do mercado.

O Tribunal de Contas em relatório de Setembro de 2007 sublinhava que a Administração do Porto de Lisboa (APL) é líder no movimento de carga contentorizada em Portugal, e apresenta desafogadas capacidades instaladas e disponíveis, para fazer face a eventuais crescimentos do movimento de contentores.A prorrogação da concessão do terminal de contentores de Alcântara até 2042 que o Governo pretende concretizar com o Decreto-Lei n.º 188/2008, de 23 de Setembro, e que prevê a triplicação da sua capacidade afigura-se assim completamente incompreensível, desnecessária, e inaceitável para mais sem concurso público.Apesar da lei prever 30 anos para a duração máxima das concessões, com esta prorrogação a duração desta concessão será na prática, de 57 anos, o que, tal como o Tribunal de Contas sublinha, impede os benefícios da livre concorrência por encerrar o mercado por períodos de tempo excessivamente longos.

Com esta decisão do Governo perde a Cidade de Lisboa, perdem os cofres públicos, perde o sistema portuário nacional, no fundo perdem os portugueses.Em face do exposto, os abaixo-assinados vêm pelo presente meio solicitar à Assembleia da República que sejam tomadas as medidas necessárias para impedir este atentado estético e económico contra o País, contra Lisboa e contra os seus cidadãos, revogando o DL n.º 188/2008, de 23 de Setembro.

Pois então, assinemos.

Quem disse que as inundações são más para todos?

Ilegais aproveitam cheias para entrar em Melilla

Com sorte, o barco deixou-os no Centro...

Destruição de arte

"Trata-se de March of the Banal (Marcha do Banal), que teve por base onze aguarelas de paisagens pintadas por Adolf Hitler entre 1914 e 1918, às quais os artistas britânicos Jake e Dinos Chapman acrescentaram soldados mortos, pontes destruídas, arco-íris e formas geométricas coloridas. A peça foi depois vendida a coleccionadores privados de arte contemporânea por 815 mil euros."

É o que se chama tomar a parte pelo todo.
Não defendo Hitler, nem pouco mais ou menos. Mas é inegável que estas obras teriam valor, só por terem sido pintadas por ele.

Seria preciso acrescentar mortos, feridos e destruição num quadro pintado muitos anos antes de ele ter chegado ao poder?

Curioso

Há algumas escolas em Lisboa que estão em obras.

Imagino que pelo País fora a situação se repita. A Escola Marquesa de Alorna, mesmo em frente à Mesquita de Lisboa, e perto do Corte Inglés, está em obras profundas desde há duas semanas.

Qual o nome da empresa que está a fazer as obras?

Mota Engil.

Tocam campainhas?

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Medo

Depois de a Sony ter adiado o lançamento de um jogo para a PlayStation 3, ontem foi a vez de a BBC proibir que se façam programas de humor que brinquem com o islamismo.

E tudo isto porquê? Por medo.

As grandes empresas têm medo do islamismo. E isto chega a tais proporções que, em bastantes casos, estas empresas perdem horas preciosas do seu tempo a analisar os seus produtos, para ver se podem de alguma forma ter qualquer relação com o Islão e se podem ofender todos os seus crentes.

E, deve também dizer-se, perdem por vezes o seu tempo a analisar esses produtos para depois encontrarem uma razão, muito rebuscada, e que só poderá ser utilizada por um profundo conhecedor da religião muçulmana.

Se isto acontece, não há mais nada a fazer. O produto fica na prateleira, ou é modificado, com óbvios custos para a empresa e até para os seus clientes.

No fundo, assim como as empresas colocam aquele logotipo da reciclagem no verso das suas caixas, deveriam juntar-se e criar uma espécie de logotipo "à prova do fundamentalismo islâmico", baseando a sua estratégia de mercado em produtos com estudos prévios exaustivos, que procuraram eventuais incompatibilidades com a fé islâmica.

O mais engraçado de tudo isto, é que por vezes, são os próprios islâmicos que são incompatíveis com a fé que professam, e que por vezes defendem até a morte.

E isto demonstra-se com um breve exemplo, ligado à área do Direito, mas bastante elucidativo:

Para a religião muçulmana, a ideia da existência de um juro em qualquer contrato é inconcebível. Se eles fossem cristãos, a cobrança de um juro constituiria um pecado gravíssimo. Mas pensemos nos fundamentalistas dirigentes do Hamas ou da Al-Qaeda: sendo mais do que sabido que eles são bastante ricos, é também óbvio que têm contas de depósito a prazo.
Ora, sendo assim, estes muçulmanos ditos fundamentalistas recebem todos os meses um juro do Banco, ganhando dinheiro de uma forma que, de acordo com os cânones islâmicos, é imoral e inconcebível.

E alguém vê manifestações, carros incendiados e motins na rua por causa disto?

Não.

Mas a Sony deixa de lançar jogos e a BBC corta a liberdade criativa dos seus programas...

No DN de hoje...

COGUMELOS CHEGAM A ESPANHA DEZ VEZES MAIS CAROS

A pergunta que se impõe é: que tipo de cogumelos?

Novidades

Descobri um blogue novo, da autoria de Nuno Nogueira Santos.

Este blogue (que já consta da lista dos links), chama-se "A Varinha Mágica de Valentim Loureiro", e tinha hoje um texto muito bom acerca dos políticos:

"Os políticos falam como técnicos, os técnicos são mais mediáticos que os jornalistas e os jornalistas fazem política…De facto, a política está tão desacreditada, que nem os políticos conseguem assumir as suas próprias convicções. Para darem um passo, encomendam 20 estudos que possam sustentar o que querem fazer, sem terem que o assumir politicamente."

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Viva a crise

Há uma palavra recorrente no vocabulário português: crise. Não há semana, mês ou ano em que esta palavra não seja utilizada, analisada e escalpelizada até ao mais ínfimo pormenor.

A verdade é que vivemos em crise desde que me lembro. Nunca houve uma altura (excepto durante a Expo e o Euro) em que Portugal acordasse e se sentisse feliz com ele próprio, sem a tão afamada crise a espreitar-lhe por cima do ombro.

Ora, sendo isto assim, das duas uma: ou vivemos mesmo em crise há mais de 20 anos, ou então não passamos de uns exagerados, que recorrem à crise por falta de assunto.

Se vivemos em crise há mais de 20 anos é grave. Porque de ano para ano a crise agrava-se. Se em 2005 estávamos com 6,83% de défice, parece que agora estamos bem pior. Mas em 2005, a tal crise que atravessávamos já era o fim do mundo. E esta crise? É o fim do mundo em versão alargada? Ou o mundo já acabou e mesmo assim conseguimos estragar tudo outra vez?

Se, por outro lado, a crise se utiliza por falta de assunto, é igualmente grave. Mas, pensando bem, faz parte de nós, portugueses. Mal seria dos portugueses se não estivessem tristes, não lhes doessem os ossos todos e não atravessassem a maior crise de que se lembram. Mal seria dos portugueses se não se queixassem compulsivamente e (por uma vez) arregaçassem as mangas e enfrentassem os seus problemas.
Se não houvesse crise, de que é que nos queixávamos? De que é que conversávamos com o senhor do barbeiro quando se esgotasse o tema do futebol?

Portanto, a crise que temos há mais de 20 anos não é mais do que um bom assunto de conversa. É esta a verdade nua e crua. Os portugueses têm de estar permanentemente a atravessar uma qualquer crise e a crise que atravessam tem de ser sempre a pior de sempre. Para poderem especular, fomentar a comunicação social e dar emprego aos "Josés Gomes Ferreiras" deste país.
Para poderem escrever, ter blogues e discussões acaloradas.

A crise não é mais do que uma necessidade de socialização dos portugueses. É através dela que nos sentimos intelectualmente reconhecidos e socialmente aceites, porque quem não tem uma opinião sobre a crise não passa de um ignorante.

Mas, por outro lado, é esta mesma crise que nos diminui os rendimentos e nos aumenta os encargos.

Mas isso não passa do reverso da medalha.

Viva a crise e a socialização que ela nos permite!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Joe, the plumber

Fiquei hoje a conhecer um americano. Joe, the plumber, é o seu nome. É canalizador e trabalha por conta de outrem há mais de 20 anos.

Como todo o americano tem o seu sonho, Joe não foge a regra. E o seu sonho consiste em juntar-se a uns quantos colegas e comprarem a empresa onde trabalham, de forma a serem patrões de si próprios.

Mas há um problema. Joe estudou um pouco, e percebeu que pode estar a ser enganado. Afinal, a compra da empresa pode-lhe permitir livrar-se do patrão, mas pode também significar o pagamento de mais impostos, dado o aumento dos seus rendimentos.

O que é que Joe faz? Aproveita a passagem da caravana de Barack Obama pela sua cidade, e confronta o candidato com o seu problema, numa ocasião onde ele se encontrava rodeado de câmaras.

É nesta altura que paramos o raciocínio e damos os parabéns ao staff da candidatura de Barack Obama. E porquê? Porque tiveram uma das melhores jogadas de marketing político de sempre. Obviamente, este pacato canalizador fez parte de uma grande encenação montada pela campanha de Obama.

Só não percebe isso quem não quer.

Ora vejamos: como é que Joe, um mero americano de classe média, chega à fala com o próprio candidato, furando o batalhão de seguranças que o rodeia? Como é que Joe chega à fala com Obama no preciso momento em que todas as televisões estão a gravar, e ninguém sabe que tipo de pergunta, reparo ou comentário poderá vir dali?

Em termos de marketing político (e pessoal, no caso de Joe), esta encenação foi genial. Mas em termos pessoais e humanos demonstrou, uma vez mais, a plasticidade de Obama, que precisa de contratar figurantes no seu próprio país para lhe fazer perguntas que, quase de certeza foram previamente ensaiadas, e para as quais Obama tinha uma resposta na ponta da língua, como se estivesse a desbobinar uma cassette.

Se o Sócrates aprende isto, os portugueses que se cuidem porque nas próximas eleições, seja em que terra for, lá teremos um Sr. Silva ou coisa que o valha a fazer perguntas a Sócrates sobre o "brilhantismo da sua governação".

Foi assim que a crise começou


Crise agrava-se


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quem manda afinal?

A crise que sofremos hoje tem alterado alguns paradigmas que, até há pouco tempo, se mantinham sólidos e quase inquestionáveis.

Por exemplo, num contrato de crédito, sempre se supôs, e sempre se disse que a parte mais forte é a entidade credora, enquanto que o devedor surge como a parte mais fraca, merecendo a maior protecção legal possível.

No entanto, nesta crise, os devedores passaram a ser a parte mais forte. Basta ver que conseguiram fazer com que as entidades que lhes emprestaram o dinheiro falissem, apenas e só porque os devedores não lhes pagaram.

E isto não deixa de ser irónico.

Apesar de haver algum fundo de verdade quando se diz que os Bancos exploram os seus clientes na concessão de crédito, julgo que esta crise mostra bem como esse paradigma se inverteu. Bastou que os vários devedores se unissem inconscientemente e incumprissem em massa com as suas obrigações para com os Bancos.

Provavelmente, esta crise irá trazer grandes modificações na concessão de crédito, que se irá tornar mais rigorosa, dada a desorientação neste ramo da actividade bancária, como já disse aqui. Irá acabar a era do crédito fácil, e os Bancos passarão a fazer análises de risco bastante mais rigorosas.

Contudo, não podemos dizer que será o fim do crédito, porque não são só os clientes dos Bancos que precisam de crédito. Os próprios Bancos necessitam de conceder crédito, pois essa é uma das formas mais importantes de aplicarem o dinheiro que recebem, e de ainda lucrarem com isso.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ele também fuma


Reflexões sobre a crise

A crise económica expande-se agora para a Europa. Numa altura onde muitos de nós podemos ser afectados, é importante reflectir um pouco, encontrar as razões da crise e aprender com os erros para que isto não se repita.

Começando pelo princípio: a crise acontece, em primeiro lugar, porque se emprestou dinheiro a quem não o podia pagar. Isto mostra bem como, ao contrário do que se diz, os devedores são bastante poderosos. Bastou que inúmeros devedores incumprissem para que os credores fossem à falência.
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Por outro lado, é importante reconhecer que os Bancos trabalham com pouco capital próprio, ou seja, o dinheiro entra sob a forma de depósitos, para logo sair como crédito. E, na maioria das vezes, o montante dos créditos é bastante superior ao montante dos depósitos. No fundo, toda a actividade bancária assenta numa lógica de confiança das pessoas na instituição.
Assim que a confiança é perdida, a instituição morre.

E aqui entra a importância da regulação do sector bancário. A regulação do sector bancário não mantém a confiança por si. Mas, ao estabelecer diversos requisitos aos Bancos, garante aos seus clientes que aquela instituição, por ter sido inspeccionada e por funcionar de acordo com certos critérios, pode ser digna de merecer a confiança do público em geral.
No que respeita ao papel da entidade reguladora, verifica-se que ele é bastante intenso para questões de liquidez, solvabilidade e gestão de riscos.
A meu ver, é no campo da solvabilidade que a regulação desempenha um papel importantíssimo, sendo que em Portugal é imposto aos Bancos o chamado "ratio de solvabilidade", que determina a percentagem de capitais próprios e de fundos emprestados que podem compor o balanço anual de um Banco.

Mas, voltando à questão da crise, porque será que ela começou?

É tudo uma questão de lógica do mercado. Durante anos sem fim, os juros extremamente baixos originam uma expansão sem precedentes do crédito, com as pessoas a pedirem mais dinheiro emprestado, sobretudo para a compra de casas. Ora, se estes créditos serviam para pagar as casas, era natural que se vendessem mais casas e, como tal, o preço das casas disparou, chegando a um ponto onde descola completamente do valor real, não sendo mais do que um preço empolado e artificial. Esta subida do preço das casas, por sua vez, vai contribuir para o aumento do crédito. E como? É simples. Se eu tenho uma casa que na realidade vale 10, mas pela qual o mercado me dá 100, consigo ir a um banco e pedir um crédito de 20, dando como garantia a minha casa, que, artificialmente, vale 100.
Portanto, não foi só o crédito à habitação que despoletou a crise. É certo que ele é a base da crise, mas é preciso ter em conta todos estes créditos paralelos, que só surgem com o aumento desproporcionado dos bens que os bancos exigiam como garantia para a concessão de crédito.

Além de tudo isto, é importante não esquecer que os Bancos actuam de acordo com um modelo de originação e distribuição. Ou seja, os bancos originam e distribuem crédito de uma forma tal que se chega a um ponto onde já é praticamente impossível avaliar o risco de concessão de crédito a uma certa pessoa.
Um breve exemplo: imaginemos um crédito à habitação, onde o banco empresta uma dada quantia. O Banco, depois de emprestar o dinheiro, e para diminuir o risco, vende parte ou a totalidade do crédito às chamadas SPV, através da emissão de obrigações hipotecárias. Essa SPV, por sua vez, vende esse crédito a outra SPV, emitindo os chamados CDO's que, por sua vez, são vendidos a uma nova SPV, mediante a emissão dos chamados CDO2.
Portanto, de acordo com este exemplo, há uma empresa, na cauda do crédito, que tem direitos sobre CDO, que por sua vez têm direito sobre obrigações hipotecárias, que por sua vez têm direito sobre o crédito à habitação longinquamente concedido pelo Banco.
Assim, com toda esta rede na concessão de crédito, torna-se difícil medir o risco, que é um elemento essencial da concessão de crédito. Como tal, concede-se crédito fácil, aumentando o endividamento.

Como é óbvio, no caso do crédito à habitação, além de um incumprimento em massa, houve também quem tenha reparado que o preço das casas estava altamente inflacionado, e o mercado começa e vender como se não houvesse amanhã, originando a queda do preço das casas.

Com tudo isto, cria-se uma grave crise de confiança nos bancos de investimento, havendo dúvidas acerca da sua solvabilidade, e as pessoas venderam em massa as acções desses bancos, originando a sua falência.

Isto explica parcialmente a crise financeira.

Além de todos estes factores, é importante não esquecer o poder do mercado bolsista e (especialmente) dos investidores, em todo este processo.
O fenómeno conhecido como short-selling também ajudou a diminuir drasticamente o valor em Bolsa de certos títulos, originando a falência das respectivas instituições.
Mas o que é o short-selling? Basicamente, o short-selling consiste em vender em Bolsa aquilo que não se tem. Em condições normais, e quando utilizado com prudência, o short-selling acaba por ser vantajoso porque aumenta a liquidez do mercado. Neste caso, e nesta crise, pode ser (talvez tenha sido) absolutamente destruidor.
Exemplificando, o short-selling permite-me a mim vender hoje uma acção que não possuo, numa altura onde o preço dessa acção está em alta. Ou seja, vendo hoje a acção que não tenho, e depois tenho o máximo de 5 dias para a ter e para a entregar ao comprador.
Portanto, o que é que eu vou ter de fazer? Vou ter de pedir acções emprestadas, pagando por isso uma certa taxa de juro. O problema é que, mais tarde ou mais cedo, vou ter de as adquirir, preferencialmente a um preço mais vantajoso, que me permita pagar o juro e ainda ganhar dinheiro.

O grande problema é que, caso haja muita gente a fazer isto, há permanentemente uma pressão no mercado para que as acções baixem, dado que os short-sellers precisam de comprar as acções a um preço que cubra (pelo menos) o valor do empréstimo e da taxa de juro, podendo levar a situações graves de manipulação do mercado.

Para as empresas em Bolsa isto é perigoso, já que as empresas têm um valor de cotação, que pode baixar devido ao movimento de short-selling, fazendo com que os credores dessa empresa "apertem" com os administradores. Pode até chegar-se a um ponto onde o short-selling faz o valor das acções baixar de uma forma tão drástica, que o que ontem valia dinheiro hoje é papel, e a empresa tem de abrir falência devido ao short-selling.

Portanto, é urgente tomar medidas que avaliem o risco de concessão de crédito, e que limitem o short-selling a dadas pessoas e em dados momentos, para que esta crise não se repita.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Talvez descer?

Enquanto os preços do petróleo vão baixando, a gasolina mantém-se aos preços a que estava quando o petróleo rondava os 130 dólares.

Tendo em conta que o petróleo está agora nos 90 e poucos dólares, parece que as gasolineiras se esqueceram que a gasolina que vendem deriva (por incrível que pareça...) do tal petróleo. O mesmo petróleo que perdeu quase 60 dólares na sua cotação nos últimos dois meses.

Fazendo umas contas rápidas, conclui-se que para que a gasolina 95 baixe 20 cêntimos (para 1,25€), será necessário que o petróleo perca quase 70 dólares na sua cotação actual, ou seja, que o barril passe a custar perto de 20 dólares.

O mais engraçado é que, quando o petróleo estava a 20 dólares o barril, a gasolina 95 ainda custava menos de 1 Euro...

Meanwhile, em Espanha, a escassos 30km do local onde estive no fim de semana passado, a gasolina 95 estava a 1,16€. Partindo do princípio que os nossos amigos espanhóis fazem a gasolina também com petróleo, e que o compram ao mesmo preço que nós, não podem ser só as diferentes cargas fiscais a explicar tamanha diferença de preços entre Portugal e Espanha.

Resumindo e concluindo: há aí alguém que anda a meter muito dinheiro ao bolso...

"Felizmente"

"O argumento de que a maioria dos europeus prefere Obama a McCain não tem qualquer peso eleitoral, só mostra a parvoíce dos europeus e como acaba por ser eficaz a diabolização que a esquerda se encarrega de promover desde que se trate dos Estados Unidos e dos republicanos, enquanto se vai babando, extasiada, de socialismo prospectivo. "

Genial, o artigo de Vasco Graça Moura no DN. Quem me dera ter sido eu a escrevê-lo...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sucessão de falências

A crise não pára, e as falências de grandes empresas internacionais sucedem-se. Hoje, foi a vez da AIG, companhia de seguros também conhecida por patrocinar o Manchester United, quase ter falido.

Qual será a vítima de amanhã? 

Oposição pelo silêncio

Manuela Ferreira Leite (MFL)  inaugurou uma nova forma de fazer oposição: através do silêncio. Muitos são os críticos desta maneira de estar na política. Para eles, oposição é sinónimo de barulho, como se a vitória nas próximas eleições fosse conquistada com peixeiradas e demagogia.

A oposição pelo silêncio tem uma grande vantagem: preserva ao máximo a imagem de MFL. É sabido que MFL não prima pelos dotes oratórios, e que a sua capacidade retórica é sofrível para um líder do maior partido da oposição. Portanto, nada melhor do que o silêncio para não ser apanhada em falso.

Por outro lado, o silêncio de MFL beneficia-a cada vez que ela fala. À semelhança de Cavaco (que fez "parar" o País naquela sua comunicação em Julho passado), MFL é ouvida de cada vez que decide falar, por mais corriqueiro que seja o assunto. A sua carapaça de silêncio faz com que todos a ouçam quando ela "sai da toca" e intervém. E quando intervém, fá-lo de uma forma séria, descomplexada e, embora aquele ar "blasé" de quem está ali a fazer um frete, MFL convence e impulsiona o PSD nas sondagens.

Por último, o tão propalado silêncio tem uma vantagem enorme, que julgo nunca ter sido abordada. O facto de MFL estar calada perante os tropeções do Governo faz com que se levantem outras vozes que, caso contrário, se manteriam silenciosas. Com o seu silêncio, MFL dá oportunidade a outros opositores "não oficiais" do Governo de se manifestarem, e de desgastarem o Governo. Se MFL falasse a torto e a direito, muitos dos que têm falado em pretensa substituição de MFL ficariam calados, e não incomodariam Sócrates nem corroeriam o seu Governo, desbaratando a maioria absoluta.

Por tudo isto se vê e se conclui que, uma vez mais, o silêncio é (mesmo) de ouro...

sábado, 13 de setembro de 2008

Google Chrome

Regresso das férias para deixar uma breve sugestão: o browser do Google. Pronto para competir com os (agora) velhinhos Internet Explorer e Firefox, o Chrome cheira a novo, é bastante eficaz e pode ser obtido gratuitamente aqui.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Penhoras do fisco

O fisco vai avançar com penhoras de bens porta-a-porta já este mês.

Escolhem o mês certo para apanhar as pessoas em casa...

O mês de Julho e Cavaco

Já passou mais de um mês desde que escrevi aqui pela última vez. E num mês, muita coisa aconteceu.

Tivemos guerrilha urbana às portas de Lisboa, com tiroteios e lutas de gangues pelas ruas. Tivemos Chávez de novo em Portugal, reabrindo uma ou outra torneira de petróleo para nos manter contentes. Tivemos Sócrates, na sua prepotência habitual, fingindo não perceber que está a perder votos. Tivemos mortes, crimes de faca e alguidar. Tivemos o caso Maddie, com escassos desenvolvimentos.

Enfim, tivemos basicamente o costume, mas apenas com um pouco mais de calor.

A única diferença foi, sem dúvida, a comunicação de Cavaco Silva ao País. E, apesar de já ter passado algum tempo, foi este assunto que me motivou a vir "sacudir o pó" a este blogue, ao fim de mais de um mês de inactividade.

Com aquela comunicação ao País, Cavaco desceu à Terra. Abandonou o patamar supra-partidário que o tinha caracterizado, e falou ao País sobre um assunto que interessava a poucas centenas de portugueses.

Do ponto de vista táctico, Cavaco esteve bem e mal em simultâneo. Falou em público de um problema que o incomodava, e com isso pressionou o PS a alterar o Estatuto dos Açores. Se não o fizesse, e se expusesse o assunto em privado, arriscava-se a que o PS aprovasse o Estatuto tal como ele estava, e o problema mantinha-se.
Por outro lado, Cavaco errou. Errou porque criou um suspense desnecessário à volta de um assunto que não interessava à esmagadora maioria dos portugueses. E isso pode sair-lhe caro no futuro, porque as suas comunicações ao País deixam de ser vistas como algo usado em casos sérios e graves, passando a ser vistas como mais um elemento da politiquice barata que é feita em Portugal.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Finalmente livre

Ingrid Betancourt foi ontem finalmente libertada. Esperemos que ela não se lembre de visitar o nosso País durante a Festa do Avante porque, dada a presença das FARC, corre o risco de ser novamente raptada...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Férias

Depois de uma extenuante época de exames, irei tirar umas pequenas férias. De vez em quando, escreverei aqui algumas coisas, mas com uma frequência bastante menor.

Boas férias a todos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O futuro de Sócrates

Aproveito agora para falar de um tema que não está directamente na agenda política, mas que julgo ser necessário abordar quanto antes: a recandidatura de Sócrates em 2009.

E o tema é sério, não porque me preocupem as intenções de Sócrates, mas sim porque me preocupa o estado da oposição para ser governo já a partir de 2009.

É que, neste momento, não é líquido que Sócrates se recandidate em 2009. O autoritarismo que tem caracterizado a sua primeira legislatura fez com que ele não saiba governar sem maioria absoluta. E com a crise internacional a entrar em força em Portugal, e com Manuela Ferreira Leite no PSD, é altamente provável que Sócrates perca (pelo menos) a maioria absoluta que lhe permitiu 4 anos de despotismo (pouco) esclarecido.

A perda da maioria absoluta justficaria, assim, uma retirada de Sócrates, que manteria a sua invencibilidade eleitoral, e evitaria entrar num Governo minoritário, onde as grandes decisões (Orçamento, por exemplo) estariam reféns de cedências e convergências que são do desagrado de Sócrates.

E para onde iria Sócrates? Em princípio, talvez fosse para a União Europeia. Digo "em princípio" porque o fracasso do Tratado na Irlanda pode ter comprometido esta sua ambição internacional (daí Sócrates ter dito que o resultado do referendo tinha sido prejudicial para a sua carreira política). Uma reforma dourada na UE permitiria a Sócrates "arrefecer" a sua imagem, podendo voltar mais tarde, quem sabe até para disputar a Presidência da República.

Resta agora esperar para ver. Na minha opinião, o tema é sério e merece ser discutido e aprofundado. E Ferreira Leite que se cuide, pois não é de todo improvável que o PSD seja Governo já em 2009...

Nota - Algumas das informações deste texto não são meramente especulativas e provêm de pessoas com conhecimento de causa. Se isto que eu disse aqui realmente acontecer, a surpresa será menor...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Breve nota sobre o referendo irlandês

Fala-se em contornar o "Não" da Irlanda.

Mas esse "Não" não foi democraticamente escolhido? Quem é a UE para interferir (ainda mais) na soberania dos seus Estados-Membros, ao ponto de lhes condicionar o poder democrático?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ouvir...

...e passar para aqui


75 minutos

3 - 1...

É impressão minha, ou o Ricardo só serve para defender penalties?

40 Minutos

2 - 1...

Recuperação épica?

35 Minutos

2 - 0...

Isto só pode correr mal.

Entrevista ao ditador

Assistimos ontem a um dos momentos mais degradantes na televisão portuguesa. Pior do que o Big Brother e todos os outros reality shows juntos. Ontem, pela primeira vez, a nossa televisão pública entrevistou um ditador.

E além de ter entrevistado um ditador, deu-lhe tempo de antena em prime time, permitindo que os portugueses fossem bombardeados com uma propaganda totalitária, repressiva e autoritária.

No entanto, poucas são as vozes que se levantam contra isto. Será que mais ninguém ficou chocado com esta entrevista?

Ainda por cima, a entrevista foi conduzida por Mário Soares que, como todos sabemos, foi conivente com o PREC e todos os atentados às liberdades cometidos nesses períodos.

Se isto acontecesse numa televisão privada, a crítica mantinha-se, mas o escândalo seria menor. O facto de aquele ditador ter sido entrevistado pela televisão pública, na Venezuela (com todas as despesas de deslocação e mobilização de meios que uma operação destas acarreta), faz com que seja vergonhoso que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado neste tipo de coisas.

Mas, tal como já disse, ninguém se importa.

Uma vez mais, faço a mesma pergunta de há algum tempo: e se Chávez fosse de Direita? Será que a RTP o entrevistava? E se o entrevistasse? Que tipo de reacções teríamos?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O erro

Um eventual acordo para ressuscitar o Bloco Central constituirá um dos maiores erros políticos de sempre.

Numa altura onde a nossa sociedade é dominada pelo comodismo, a solução do Bloco Central espelha bem o comodismo que já reina na nossa vida política. É muito mais fácil fundir ideias intrinsecamente diferentes do que ter ideias próprias e pensar pela sua própria cabeça.

A meu ver, nem o PS nem o PSD beneficiariam do Bloco Central. Obviamente que, juntos, governariam Portugal a seu bel-prazer, mas no longo prazo esta solução pode revelar-se desastrosa. Desastrosa porque deixa de haver oposição.

Se o PSD e o PS se juntarem, terão à volta de 210 deputados, sobrando 25, que terão a árdua tarefa de fazer, sozinhos, oposição a um Governo esmagadoramente maioritário. A falta de oposição conduzirá, por sua vez, a um sentimento de impunidade por parte dos governantes, que não se coibirão de aproveitar tudo aquilo que o poder oferece, ainda para mais quando não há oposição.

Será este o futuro que queremos para Portugal?

terça-feira, 17 de junho de 2008

O referendo na Irlanda

Por manifesta falta de tempo, fica aqui uma pequeníssima reflexão acerca do chumbo da Irlanda ao Tratado de Lisboa.

O chumbo da Irlanda fez-me recordar a Áustria. Eu sei que, à partida, poucas coisas unem estes países, mas é certo que são dois exemplos de países que fugiram do politicamente correcto.

A Áustria, por volta de 1996 ou 97, teve o desplante de eleger democraticamente um Governo que fugia aos padrões vigentes na UE. A Irlanda, em 2008, teve o desplante de chumbar democraticamente um Tratado que, por imposição constitucional, tinha de ser referendado.

No primeiro caso, a UE sancionou a Áustria, vencendo por cansaço o Governo de Haider. E agora? Será essa a táctica a utilizar? É que é mais fácil vencer um Governo por exaustão do que vencer os milhões de Irlandeses que aceitaram o Tratado.

No entanto, parece-me que o rumo será esse. Já vários membros da Comissão vieram dizer que, como o Tratado foi chumbado, há que haver novos referendos, até que se restaure o politicamente correcto e o Tratado seja aprovado. Foi assim com a Dinamarca, e será essa a sorte da Irlanda.

No meio de tudo isto, temos ainda Sócrates, grande obreiro do Tratado. Se lhe restasse um pingo de humildade, Sócrates devia declarar publicamente o seu apoio à consulta popular na Irlanda, e procurar arranjar novos rumos para a União Europeia.

Contudo, não será (nem foi) isto que aconteceu. Sócrates preferiu seguir a linha da Europa, e aderir ao politicamente correcto, condenando o referendo, e mostrando-se favorável a uma construção federalista europeia "à pressão".

É caso para perguntar: e onde está a Democracia?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Revelações ou a importância da experiência

Ao longo destes meses, tenho escrito aqui numa espécie de anonimato, que é coisa comum da blogosfera.

Apesar de não ser minimamente conhecido na vida pública, o facto de escrever apenas com as iniciais do meu nome dá-me um desprendimento para a tomada de certas posições que de outra forma não teria. Ou melhor, até teria esse desprendimento, mas talvez de uma forma mais contida.

Serve isto para dizer que estou um pouco cansado do anonimato em que tenho escrito. Por enquanto, não é esta a altura de revelar o meu nome (até porque isso não adiantaria muito...), mas gostava de informar os leitores deste blogue da minha idade.

Completei 22 anos há três dias. E a partir de agora estou preparado para todas as críticas. Desde a inexperiência à precipitação normal da idade, digam aquilo que bem entenderem. Mas devo desde já dizer que críticas dessas de nada adiantam.

Quem discorde de uma certa posição por mim tomada cometerá um grande erro se me atacar por falta de experiência. Porque aqui discutem-se ideias e convicções, não se discutem estados de alma ou problemas pseudo-existenciais de uma eventual adolescência tardia.

PS - Revelada a minha idade, revelo também o motivo da minha ausência: exames. Estou a terminar o 4º Ano de Direito, e sobra-me pouco tempo para vir até aqui...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Então adeus

Chelsea confirma Scolari como novo treinador

Falta de gasolina

Com a escassez de gasolina, se Portugal ganhar hoje, será que alguém vai festejar para o Marquês de Pombal?

Nova greve

Depois de já me ter insurgido aquando da greve dos pescadores, volto a fazê-lo com a greve dos camionistas.

Ou melhor, com a greve de alguns camionistas. Porque outros há que pretendem trabalhar e fazer as suas entregas a tempo e horas, sendo depois barrados e impedidos pelos colegas de profissão que estão em greve.

Portanto, esta greve cai à partida por ser imposta. Ela não resulta apenas de um esforço de mobilização dos camionistas. Esta greve resulta, sim, de um esforço de intimidação e de bloqueio dos camionistas grevistas face aos não grevistas.

Imagine-se o que seria se numa das greves habituais da Função Pública os sindicalistas fossem a casa dos funcionários públicos à força e os arrastassem para a sua manifestação. Todos se revoltariam contra um atentado à liberdade como este, não era?

Pois bem, na greve dos camionistas sucede exactamente o mesmo. Os camionistas obrigam todos os seus colegas a fazerem greve, transformando um direito de exercício voluntário num direito de exercício obrigatório. E ao obrigarem ao exercício desse direito, por vezes até perdem a vida...

E no meio de tudo isto, onde está a polícia? Será preciso elencar novamente a lista de direitos que estão a ser violados e os crimes que estão a ser cometidos pelos camionistas em greve? Porque é que, mais uma vez, a polícia não intervém?

Será que lhes falta gasolina para irem até aos sítios da greve? Será que têm medo dos camionistas? Será que os polícias continuam a achar que a greve é sagrada?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Surpreendente

Foi fundada a Associação Ateísta. Ler mais n' O Povo.

São retrógrados

Todos nós temos uma raça. Uns são brancos, outros pretos, outros amarelos, encarnados, etc etc. Mas é certo que raça, como já referi, todos temos, seja ela qual for.

O facto de o PCP e o Bloco de Esquerda se insurgirem contra o facto de Cavaco se referir ao dia de hoje como Dia da Raça é absolutamente ridículo, e demonstra apenas a falta de interesse da nossa vida política, que perde tempo com assuntos estapafúrdios como este.

Mas, se a extrema-esquerda perdeu tempo com isto, há tentar (ainda que infrutiferamente) chamá-los à razão.

Para o PCP e o Bloco de Esquerda, o facto de o Presidente se ter referido ao 10 de Junho como o Dia da Raça não deveria ser perturbador. Com efeito, se a variedade de raças é enorme, o facto de o Presidente se referir ao dia de hoje como o Dia da Raça mostra bem o esforço inclusivo feito por Cavaco Silva, para levar o Dia de Portugal a todas as raças que, como sabemos, povoam o nosso País.

Portanto, custa ver a extrema-esquerda, sacrossanta defensora das igualdades ainda que as diferenças sejam inconciliáveis, uivar contra uma declaração tão abrangente e inclusiva de Cavaco, que dirigiu como que um convite a todas as raças para comemorarem o 10 de Junho.

A razão desta indignação é simples, e diz-se em poucas palavras: a extrema-esquerda é retrógrada. Isso mesmo. Retrógrada. E é retrógrada porque, assim que ouve falar em raça, vem-lhe imediatamente à ideia a superioridade da raça branca, uma ideia do passado, que todos sabemos que não estava, nem estará em causa, no ano de 2008, em Portugal.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

E se baixassem o ISP em vez disto?

Postos de abastecimento em auto-estradas obrigados a dizer preços dos concorrentes

Ridículo

Leio no DN de hoje que a RTP foi impedida de transmitir em directo uma tourada às 17h30. As razões invocadas diziam que, a essa hora, há muitas crianças a ver televisão, e que uma tourada é demasiado violenta e susceptível de chocar o público mais jovem.

Enquanto isso, liga-se a televisão na TVI, às 18h00, e vêem-se os "Morangos com Açúcar". Nessa novela, a troca de parceiros sexuais é frequente, o uso de drogas é "fixe", e o respeito pelos pais e professores é inexistente.

Não serão os "Morangos"mais chocantes do que uma tourada?

Balanço da manifestação

Por motivos profissionais, tive hoje oportunidade de "assistir" ao princípio da manifestação da CGTP em Lisboa, no Marquês de Pombal.

Por muita concentração que se tenha enquanto se trabalha, foi para mim inevitável tirar as seguintes conclusões:

1 - A maioria dos manifestantes eram alentejanos
2 - A esmagadora maioria dos manifestantes não sabe bem o que lá está a fazer. Com efeito, antes de entrar para o prédio onde estava, ouvi um manifestante a perguntar a outro: "Olha lá, este cartaz é para ir ou não?" O outro responde: "Não sei. Leva na mesma para parecerem muitos."
3 - Havia vários manifestantes de muletas, o que significa que podem estar de baixa para não trabalharem, mas que o facto de estarem de muletas não os impede de faltar a uma "patuscada" destas
4 - Os slogans são os mesmos desde há 30 anos, e os homens dos megafones também. Além de me terem proporcionado um concerto de "Grândola Vila Morena" (a música repetiu TODA, pelo menos 20 vezes), ouviram-se os clássicos "CGTP unidade sindical" e "A luta continua", o mais recente "Mentiroso!" e o (para mim) novo "O custo de vida aumenta mas os bolsos não alargam", entre muitos outros
5 - Apesar de o direito de manifestação ser muito bonito, esta manifestação arruinou-me uma tarde de trabalho. Que os manifestantes não trabalhem e saiam para a rua, muito bem. Agora é inadmissível fazerem aquela barulheira infernal, durante quase duas horas, prejudicando todas as pessoas que tentam trabalhar na zona da Av. Fontes Pereira de Melo e do Marquês.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Será preciso?

Galp será obrigada a divulgar custos e proveitos do armazenamento e transporte de combustíveis

O Estado tem uma goldenshare na Galp que lhe permite aceder a esta informação. Será que o ministro não sabe?

O relatório esperado

Afinal não há estratégia anti-concorrencial por trás dos preços dos combustíveis. Nem cartel, nem concertação de preços.



Os preços estão assim porque têm de estar, as empresas de combustíveis não roubam os consumidores, e vamos andando, felizes e contentes, nesta ilusão de que existe mercado de combustíveis em Portugal.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Vergonhoso

Numa altura de grave crise, onde são pedidos inúmeros sacrifícios financeiros, custa ler esta notícia do Público.

O Estado, não contente com os impostos que arrecada, auto-prejudica-se nessa patriótica missão de redução do défice por ter gasto 800 milhões de Euros irregularmente.

Enquanto que os portugueses poupam e espremem os seus rendimentos até ao fim do mês, o nosso (des)Governo gasta "à tripa forra", desbaratando 800 milhões de Euros de forma irregular.

Está visto para que servem os 184 dias que os portugueses trabalham só para pagar impostos...

Peixe português ou espanhol?

ASAE identifica 30 quilos de pescado impróprio no mercado da Quarteira

O regresso

Inter de Milão confirma contratação de José Mourinho

domingo, 1 de junho de 2008

A greve é um direito...como outro qualquer

Os pescadores estão em greve contra o aumento dos combustíveis. Estão no seu direito. Mas será que o facto de fazerem greve lhes dá o direito de bloquearem estradas e inspeccionarem malas de veículos privados?

Pelos vistos, sim. Parece que o facto de se estar em greve justifica tudo, como se a greve fosse um direito inatacável, que se posiciona acima de qualquer outro direito ou liberdade individual. Quem eram aqueles pescadores para mandar abrir malas de carros, sob ameaças de violência? O facto de estarem em greve dota-os de algum poder público que lhes permita fazer isto?

São atitudes como estas que fazem com que as greves tenham pouco efeito em Portugal. Os grevistas acham-se sempre cobertos de razão, e ao abrigo do seu direito à greve fazem coisas inexplicáveis, que desviam a atenção dos motivos da greve para as consequências dessas mesmas atitudes.

E no meio de tudo isto, onde estava a polícia? Ali havia claramente motivos para uma intervenção policial. Havia um bloqueio a uma propriedade privada, havia ameaças à integridade física e havia violação de propriedade privada de cada vez que alguém era forçado a abrir as malas dos carros. Além disso, havia ainda crime de dano, de cada vez que era destruído o peixe que as pessoas levavam. Com jeitinho, poderia até configurar-se o crime de furto, visto que as coisas eram retiradas aos seus proprietários com violência.
Perante toda esta panóplia de crimes e violações, porque é que a PSP, a GNR ou a Polícia Marítima não estavam lá? Estou certo de que cada uma destas entidades sabia perfeitamente dos excessos que eram ali cometidos.

Mas se sabiam, porque é que não foram lá? É simples: não foram lá por medo. Os polícias deste país não exercem a sua autoridade (à qual estão obrigados, ainda que estejam fora de serviço) porque acham que, ao abrigo do direito à greve, podem cometer-se todos os atentados contra direitos individuais.

O direito à greve não é sagrado. É pena que muita gente ainda ache o contrário...

Avião fretado

Será que se pode fumar no avião da Selecção?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Tensão

Cavaco Silva contraria Jaime Silva e defende mais apoios aos pescadores

É impressão minha. ou esta crise dos combustíveis está a originar uma crise nas (alegadas) boas relações entre Cavaco e o Governo?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O debate de ontem

Gostei do debate de ontem na SIC. Apesar de o excesso de candidatos prejudicar uma discussão clara das opções de cada um (e de ser difícil fazer debates a dois, porque ninguém vai perder tempo a debater com Patinha Antão...), o debate de ontem deu para tirar algumas conclusões.

Em primeiro lugar, deu para ver o crescimento político de Pedro Passos Coelho. Se ao princípio, Passos Coelho poderia ser visto como um outsider, neste momento é visível que ele é, a par com Ferreira Leite, o candidato com maiores possibilidades de ganhar as eleições.

Em segundo lugar, há que falar de Santana Lopes. Há que falar dele, e do erro que ele cometeu ao candidatar-se à liderança do PSD. A sede de protagonismo foi, novamente, mais forte do que ele, forçando-o a avançar para uma batalha perdida à partida e para (mais) uma humilhação pública, com o consequente desgastamento de imagem.

É também importante falar de Manuela Ferreira Leite. Entrou para o debate como favorita, e saiu de lá ainda mais favorita. Apesar de não ter tido a melhor das prestações (confundiu-se, e foi "entalada" pela jornalista quando questionada acerca da matriz social-democrata), Ferreira Leite conseguiu impedir os restantes candidatos de diminuirem a vantagem que os separa dela. E a dois dias das eleições, é mais importante conseguir que os outros não se aproximem do que tentar que eles se afastem a todo o custo.

Por fim, como é hábito, Patinha Antão. Devo dizer que até gostei de algumas das propostas teóricas que lançou, bem como de algumas partes do seu discurso, que conseguiram ser coerentes e unificadoras. No entanto, ficou-lhe mal o uso do argumento de piedade ("Eu sou um simples homem da sociedade civil") e, sobretudo, ficou-lhe muito mal as constantes interrupções feitas enquanto os candidatos falavam. Os seus inúmeros "Hum" e "Peço desculpa mas isso não é verdade" não abonam a seu favor. Por momentos, quase parecia que estava no hemiciclo, só faltando os sempre úteis "Muito bem!", de cada vez que Santana Lopes falasse.

Agora aproximam-se as eleições. É certo que Ferreira Leite ganhará, embora Passos Coelho merecesse uma oportunidade de pôr em prática o tal discurso liberal que tem levado a cabo.

É a crise...

Lojas de penhores em Lisboa e Porto tiveram grande aumento de procura.

É caso para dizer: vão-se os anéis, ficam os dedos...

Já era tempo

Autoridade da Concorrência divulga a 3 de Junho conclusões da investigação à formação dos preços dos combustíveis.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Aleluia?

O título do post abaixo revela o meu/nosso alívio pela descida do petróleo. No entanto, parece-me cedo demais para grandes euforias. Se desceu hoje, é certo que amanhã o petróleo já vai subir.

O que é certo é que, se em vez de ter descido 9 dólares, o petróleo tivesse subido 9 dólares, amanhã teríamos mais uma subida dos combustíveis. E que tal descerem os preços, para variar?

Aleluia

Preço do petróleo cai quase nove dólares devido ao abrandamento do consumo.

Bem feito

Parece que a receita do IVA está a ser afectada pela diminuição da procura de combustíveis.

A mim, parece-me muito bem que isto aconteça. O Estado habituou-se a usar dois mercados para extorquir dinheiro aos consumidores: o do tabaco e o dos combustíveis.

Como são dois produtos que têm uma procura rígida, e de que muitas pessoas precisam, o Estado sempre se habituou a utilizar estes produtos como óptimas fontes de receitas ao longo dos anos. No caso do tabaco, as subidas de preço que derivam apenas de impostos ascendem aos 20% por ano.

Os combustíveis são, apesar de tudo, um mercado mais sensível, embora o Estado pratique a dupla tributação (IVA+ISP), e tenha uma golden-share no principal revendedor de combustível refinado (a Galp).

O problema é que tudo tem limites. E a paciência dos consumidores também tem limites. Chegou a altura onde o Estado tem de rever as suas prioridades, e pensar que os consumidores de combustíveis não têm de andar a pagar as asneiras do défice e outras megalomanias que se fizeram ao longo dos anos.

Os consumidores já estão a deixar de consumir. E o Estado? Quando é que baixa os impostos?

Gente rica...

A Câmara de Lisboa vai pedir 70 milhões de Euros para reabilitação urbana.

Não foi a Câmara de Lisboa que, há alguns meses, ia pedir um empréstimo de 460 milhões de Euros para pagar dívidas?

E agora? Vão endividar-se outra vez, afundando-se ainda mais num enorme buraco financeiro?

Leituras

Brilhante, o texto do Demokrata acerca da homossexualidade.

Para ler aqui.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Ele falou outra vez

O Presidente voltou a falar dos mercados de combustíveis. Finalmente, falou em especulação, que é a meu ver, o grande factor responsável pelos aumentos de preços, não só nos combustíveis, mas também nos alimentos.

O facto de Cavaco já se ter pronunciado duas vezes acerca deste assunto demonstra bem a gravidade da situação. Além disso, todos sabemos que Cavaco é comedido e cauteloso nas suas declarações. Portanto, para Cavaco falar de especulação, é porque sabe de alguma coisa concreta.

Agora falta ver se estas declarações produzem algum efeito. Continuamos à espera do estudo da Autoridade da Concorrência...e aposto que Cavaco também.

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Não conheço o Governador do Banco de Portugal. Também não sou psicólogo. Mas não é difícil diagnosticar-lhe esquizofrenia.

Vítor Constâncio é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Quando o Governo não é da sua área política, é uma pessoa pessimista e sombria, que discorda do Governo em (quase) tudo, e que acha que uma eventual luz ao fundo do túnel não passa de uma miragem. Nestes casos, Constâncio dramatiza, revê previsões em baixa, antecipa recessões...enfim, faz, como se costuma dizer, "a vida negra" a quem governa.

No entanto, tudo muda quando Constâncio gosta do Governo. Pode até dizer-se que tudo se transforma num autêntico "mar de rosas", ou não fosse Constâncio um reconhecido socialista. Quando isto acontece, o Governo está sempre correcto, as medidas são sempre as mais acertadas, e não há uma luz ao fundo do túnel...ou melhor, nem sequer há um túnel.

É esta disparidade de critérios que não pode existir num homem que, desde que Portugal passou para o Euro, não tem mais do que uma função reguladora. E a regulação devia ser exercida de forma imparcial.

E já agora, uma questão: o cargo de Constâncio será vitalício?

Aditamento feito a 27/5/2008, às 15:35:

Finalmente, houve alguém que se manifestou contra a parcialidade de Vítor Constâncio.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

As declarações racistas de Richards

Aqui fica o vídeo das alegadas declarações racistas de Michael Richards, abaixo mencionadas.

Teimosia

Sócrates diz que ajuda quem mais precisa. Sendo assim, um congelamento do preço dos combustíveis, ou até uma redução do ISP não faz qualquer sentido. O que faz sentido é aumentar abonos de família e congelar passes sociais.

Mas será que Sócrates acha que a gasolina também pára de aumentar se ele congelar os passes? Será que ele acha que a OPEP se assusta com o aumento dos abonos de família e resolve aumentar a produção de petróleo?

Visualmente falando, é espectacular aumentar abonos de família. Depois, lê-se a lei, e conclui-se que afinal aquilo é só para uma camada ínfima da população, que recebe mais 5 euros por mês, ou coisa que o valha.

Já era tempo de o primeiro-ministro perceber que, neste momento, é essencial baixar os preços dos combustíveis. E a situação é de tal forma séria, que acredito que as pessoas preferem poupar directamente na gasolina que consomem, do que receber mais 5 euros em casa com o abono de família.

O special one está de volta

Mourinho assina hoje ou amanhã pelo Inter

Afinal, o que é o racismo?

Numa altura onde o racismo volta a ser falado (por exemplo, na África do Sul), lembro-me de Michael Richards.

Provavelmente o nome dele não sugere nada. Se eu disser que ele era o Kramer na série "Seinfeld", talvez já se lembrem dele.

Há um ano ou dois, Michael Richards actuava num clube, fazendo stand-up comedy, quando fez uma piada sobre pretos. Um preto na assistência mostrou-se indignado e avançou para Tribunal, para que Michael Richards fosse condenado por racismo.

Vagueando pela Internet, encontrei as declarações dele em Tribunal, feitas para sua defesa, e que contêm uma visão acerca do racismo de que eu partilho inteiramente.

«Existem Afro-Americanos, Americanos Hispânicos, Americanos Asiáticos,Americanos Árabes, etc. E depois há os apenas Americanos. Vocês passam por mim na rua e mostram arrogância. Chamam-me 'White boy,''Cracker,' 'Honkey,' 'Whitey,' 'Caveman' ...e está tudo bem.

Mas quando eu vos chamo Nigger, Kike, Towel head, Sand-nigger, CamelJockey, Beaner, Gook, or Chink, vocês chamam-me racista.
Quando vocês dizem que os Brancos cometem muita violência contra vocês, então porque razão os ghettos são os sítios mais perigosos para se viver?

Vocês têm o United Negro College Fund, o Martin Luther King Day, o Black History Mont, o Cesar Chavez Day, o Yom Hashoah, o Ma'uled Al-Nabi.Vocês têm o NAACP.Vocês têm o BET [Black Entertainment Television] (tradução: Televisão de Entretenimento para pretos).
Se nós tivéssemos o WET [White Entertainment Television] seriamos racistas. Se nós tivéssemos o Dia do Orgulho Branco, vocês chamariam-nos racistas. Se tivéssemos o mês da História Branca, éramos logo racistas. Se tivéssemos alguma organização para ajudar apenas Brancos a andarem coma sua vida para frente, éramos logo racistas.
Existem actualmente a Hispanic Chamber of Commerce, a Black Chamber of Commerce e nós apenas temos a Chamber of Commerce. Quem paga por isto?

Uma mulher Branca não pode ser a Miss Black American, mas qualquer mulher de outra cor pode ser a Miss America. Se nós tivéssemos bolsas direccionadas apenas para estudantes Brancos,éramos logo chamados de racistas. Existem por todos os EUA cerca de 60 colégios para Negros. Se nós tivéssemos colégios para Brancos seria considerado um colégio racista.

Os pretos têm marchas pela sua raça e pelos seus direitos civis, como a Million Man March. Se nós fizéssemos uma marcha pela nossa Raça e pelos nossos direitos seríamos logo apelidados de racistas. Vocês têm orgulho em ser pretos, castanhos, amarelos ou laranja, e não têm medo de o demonstrar publicamente. Mas se nós dissermos que temos "Orgulho Branco", vocês chamam-nos racistas.

Vocês roubam-nos, fazem-nos carjack, disparam sobre nós. Mas, quando um oficial da policia Branco dispara contra um preto de um gang ou pára um traficante de droga preto que era um fora-da-lei e um perigo para a sociedade, vocês chamam-no racista.

Eu tenho orgulho. Mas vocês chamam-me racista.Porque razão só os Brancos podem ser chamados de racistas?»

A estratégia

Manuela Ferreira Leite opõe-se à descida dos impostos sobre os combustíveis. Apesar de eu discordar da opinião da candidata à liderança do PSD, tenho de reconhecer que, do ponto de vista estratégico, a ideia de Manuela Ferreira Leite vale muito.

Ao ser contrária à descida de impostos sobre os combustíveis, Ferreira Leite mantém-se coerente com posições que tinha assumido anteriormente, acerca da descida do IVA. Além disso, para quem tem uma campanha baseada na credibilidade pessoal, uma manifestação favorável a uma descida de impostos poderia ser encarada como um resvalamento para o populismo, que é coisa que Ferreira Leite pretende evitar a todo o custo.

A meu ver, esta opinião de Ferreira Leite é daquelas que não ata nem desata. Por um lado, não se compromete a descer este imposto se for eleita primeira-ministra (e já é nisso que ela pensa). Por outro lado, não resvala para um eventual populismo desenfreado ao propor uma baixa de impostos.

Estrategicamente, a opinião é brilhante. No estado actual das coisas, a opinião não faz qualquer sentido.

domingo, 25 de maio de 2008

Incrível

Neste fim de semana saí de Lisboa rumo a Norte, para perto de Coimbra. Percorri cerca de 600 km. Gastei 96 Euros em gasolina para ir e voltar.

São despesas destas que fazem com que as ideias do "vá para fora cá dentro" estejam a ter cada vez menos sucesso.

E não valeria a pena?

E será que não valia a pena o Governo abdicar de uma parte dos lucros que tem tido com a subida dos combustíveis, reduzindo o ISP?

Manuel Pinho acha que não. Prefere esperar que sejam as empresas a cortar nas suas margens de lucro. O problema é que o Governo não pode ser encarado como uma empresa, e por vezes, há que reduzir lucros para manter a estabilidade social.