domingo, 1 de junho de 2008

A greve é um direito...como outro qualquer

Os pescadores estão em greve contra o aumento dos combustíveis. Estão no seu direito. Mas será que o facto de fazerem greve lhes dá o direito de bloquearem estradas e inspeccionarem malas de veículos privados?

Pelos vistos, sim. Parece que o facto de se estar em greve justifica tudo, como se a greve fosse um direito inatacável, que se posiciona acima de qualquer outro direito ou liberdade individual. Quem eram aqueles pescadores para mandar abrir malas de carros, sob ameaças de violência? O facto de estarem em greve dota-os de algum poder público que lhes permita fazer isto?

São atitudes como estas que fazem com que as greves tenham pouco efeito em Portugal. Os grevistas acham-se sempre cobertos de razão, e ao abrigo do seu direito à greve fazem coisas inexplicáveis, que desviam a atenção dos motivos da greve para as consequências dessas mesmas atitudes.

E no meio de tudo isto, onde estava a polícia? Ali havia claramente motivos para uma intervenção policial. Havia um bloqueio a uma propriedade privada, havia ameaças à integridade física e havia violação de propriedade privada de cada vez que alguém era forçado a abrir as malas dos carros. Além disso, havia ainda crime de dano, de cada vez que era destruído o peixe que as pessoas levavam. Com jeitinho, poderia até configurar-se o crime de furto, visto que as coisas eram retiradas aos seus proprietários com violência.
Perante toda esta panóplia de crimes e violações, porque é que a PSP, a GNR ou a Polícia Marítima não estavam lá? Estou certo de que cada uma destas entidades sabia perfeitamente dos excessos que eram ali cometidos.

Mas se sabiam, porque é que não foram lá? É simples: não foram lá por medo. Os polícias deste país não exercem a sua autoridade (à qual estão obrigados, ainda que estejam fora de serviço) porque acham que, ao abrigo do direito à greve, podem cometer-se todos os atentados contra direitos individuais.

O direito à greve não é sagrado. É pena que muita gente ainda ache o contrário...

2 comentários:

Demokrata disse...

Caro PR,

Tem toda a razão.

Fundamentalmente, todos os problemas humanos são problemas morais, de pobreza de espírito. Pois sem uma Moral forte não há distinção entre Liberdade e Libertinagem. E daí, assistirmos a este tipo de atitudes.

E os culpados disto? A Esquerda, ora talibã, ora caviar.

Um abraço.

PR disse...

Caro Demokrata,

Muito obrigado pelo seu comentário acutilante, como sempre.

Creio que acertou precisamente no ponto e nos culpados.

Além da confusão entre liberdade e libertinagem, a falta de Moral da gente de hoje torna-os facilmente influenciáveis por essa esquerda demagoga e mentirosa.

Um forte abraço.