sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Dos Professores

A propósito do comentário deixado por Nuno Nogueira Santos no post abaixo, julgo ser interessante dizer algumas coisas acerca desta guerra titânica que opõe o Ministério da Educação aos Professores.

Em primeiro lugar, e a título de disclaimer: não voto PS, não gosto do PS e acho que os professores devem ser avaliados.

Uma pessoa que trabalhe, seja lá onde for e em que circunstâncias for, deve ser avaliado. De forma formal ou informal, todos os trabalhadores por conta de outrem em Portugal são avaliados. E esta avaliação é que permite distinguir os óptimos dos bons, os bons dos menos bons e os menos bons dos maus.

E é lógico que assim seja. Porque, se tanto se apregoa o direito á diferença, também as competências profissionais de cada um de nós são diferentes. Cada pessoa tem a sua forma de encarar e de viver a sua profissão. Uns fazem-no por gosto, outros por obrigação. Uns são naturalmente melhores, enquanto outros, por muito que se esforcem, nunca ultrapassam a mediocridade.

É a lei da vida.

Dito isto, é também natural que as pessoas que exercem bem o seu cargo devam ter certas regalias, que premeiem o seu esforço e as suas capacidades naturais para o exercício daquela profissão.

E estas regalias só podem ser dadas mediante uma avaliação, ou seja, uma lista que diga que aquela pessoa cumpriu os objectivos pré-estabelecidos com mérito. E esta avaliação tem de ser feita com rigor, de forma a que sejam premiados apenas aqueles que realmente o merecem.

No entanto, a avaliação pode ser feita de várias formas. Ou se contratam avaliadores externos, sem qualquer ligação àquela empresa em concreto, ou se opta por avaliadores internos. Contudo, uma coisa tem de ficar clara: aqueles que estão avaliados devem ter a mínima intervenção possível no processo de avaliação, não só para permitir que se concentrem no (bom) exercício da sua actividade, mas também para assegurar toda a credibilidade e transparência da dita avaliação.

No caso específico dos professores, a avaliação exige-se. Porque, como já disse acima, não podem ser todos igualmente excelentes e progredir na carreira apenas pelos anos de serviço que têm. A excelência é uma qualidade (quase um dom) que está presente em poucos, e são esses que devem ser especialmente premiados, e não metidos num saco juntamente com todos os outros.

Daí que os professores estejam errados quando criticam as quotas para as notas boas. É natural que essas quotas existam. Porque, caso contrário (e à típica maneira portuguesa) o professor mau arranjaria logo uma cunha junto do avaliador para também ser excelente, o que tornaria a avaliação numa coisa redundante.

Mas os professores estão correctos ao criticar o modelo de avaliação. A burocracia é extremamente elevada, e acredito perfeitamente que tire tempo aos professores para fazerem aquilo para que foram contratados: ensinar.
E é aqui que o Governo erra grosseiramente. Porque uma coisa é inflexibilidade para não recuar na medida de avaliar os professores (o que é correcto), mas outra coisa é ser inflexível e cego ao ponto de não admitir que podem existir outros modelos de avaliação bem menos prejudiciais para os professores.

O grande problema aqui é que, aos olhos da opinião pública, os professores começam a perder a razão que têm. Episódios como os dos ovos contra o carro da Ministra não podem ter sido obra exclusiva da cabeça dos alunos. Ou melhor, até podem, mas, caso o sejam, surgem apenas porque os professores excederam os limites na sua própria luta, seduzindo os seus alunos para entrarem na guerra.

E isso é inadmissível. Porque os alunos não são tidos nem achados na avaliação dos professores, e é aos professores que compete abrir os olhos do Governo.

E isto não se faz através de incitações à violência. Faz-se com conversas e muita diplomacia, coisa que já se percebeu que nenhuma das partes envolvidas tem...

3 comentários:

Nuno Nogueira Santos disse...

Também não sou do PS, não voto no PS e no meu livro faço até um esclarecimento sobre o meu posicionamento político. Acho que José Sócrates só anda a fazer asneiras, nos últimos tempos. Outra coisa é o que escrevo no meu post. Independentemente das razões, acho que os professores têm feito uma figura muito triste que lhes há-de sair cara perante os alunos no futuro. O que se está a passar também mostra a falta de qualidade dos nossos sindicatos.

PR disse...

Concordo absolutamente. Quanto aos professores, perderão todo o respeito que os alunos lhes tinham (se é que ainda tinham algum...).
Quanto aos sindicatos, só prova aquilo que realmente são: forças de bloqueio que, a troco de uma suposta protecção de interesses de classe, vão enchendo os bolsos à custa dos seus associados.

Nuno Nogueira Santos disse...

Então sobre isso vê lá a foto que hoje coloquei no meu blog com a ministra com um braço e uma perna partida! http://aoutravarinhamagica.blogspot.com/