terça-feira, 13 de maio de 2008

Venezuela

A Venezuela não é um país rico. A Venezuela está do outro lado do oceano e é governada por um pseudo-ditador. É muito provável que os direitos humanos não sejam respeitados na Venezuela. A liberdade é um direito muito restringido na Venezuela. A Venezuela negocia e dá apoio às FARC, que são uma força terrorista.

Sócrates vai à Venezuela. Irá condenar estes abusos de poder? Irá insurgir-se contra o facto de as FARC serem respeitadas pela Venezuela? Irá exigir um maior respeito pelos direitos humanos?

Não.

Por duas razões. Em primeiro lugar, a Venezuela está a nadar em petróleo, e é preciso arranjar alternativas aos países árabes. Mas será que a personalidade esquizofrénica de Chávez dá mais segurança do que a dos governantes dos países árabes? É importante não esquecer que Chávez, na Venezuela, quer, pode e (por enquanto) manda. Portanto, nada garante que Chávez não resolva, de um dia para o outro, fechar a torneira e deixar Portugal sem petróleo.

Por fim, é preciso não esquecer que, ideologicamente, Chávez é de Esquerda. Se Chávez fosse assumidamente de Direita, será que Sócrates ia à Venezuela? Será que a comunidade internacional mantinha o silêncio ensurdecedor que rodeia as medidas anti-democráticas de Chávez? Certamente que não. Fosse Chávez de Direita e a comunidade internacional condenaria em peso o seu Governo. Porque se a ditadura e os abusos aos direitos humanos partem da Esquerda, não há nada nem ninguém que os censure.

No fundo, Chávez é um sortudo. Tem petróleo para dar e vender, governa como quer porque é de esquerda e não tem de aturar a comunidade internacional.

2 comentários:

Demokrata disse...

Subscrevo.
Só discordo no facto de que Chávez seja um pseudo-ditador. O seu despotismo já deu mostras de ser um verdadeiro ditador.

Um abraço.

PR disse...

Concordo na sua discordância. O "pseudo" apareceu ali no calor da escrita.

Um abraço