quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Medo

Depois de a Sony ter adiado o lançamento de um jogo para a PlayStation 3, ontem foi a vez de a BBC proibir que se façam programas de humor que brinquem com o islamismo.

E tudo isto porquê? Por medo.

As grandes empresas têm medo do islamismo. E isto chega a tais proporções que, em bastantes casos, estas empresas perdem horas preciosas do seu tempo a analisar os seus produtos, para ver se podem de alguma forma ter qualquer relação com o Islão e se podem ofender todos os seus crentes.

E, deve também dizer-se, perdem por vezes o seu tempo a analisar esses produtos para depois encontrarem uma razão, muito rebuscada, e que só poderá ser utilizada por um profundo conhecedor da religião muçulmana.

Se isto acontece, não há mais nada a fazer. O produto fica na prateleira, ou é modificado, com óbvios custos para a empresa e até para os seus clientes.

No fundo, assim como as empresas colocam aquele logotipo da reciclagem no verso das suas caixas, deveriam juntar-se e criar uma espécie de logotipo "à prova do fundamentalismo islâmico", baseando a sua estratégia de mercado em produtos com estudos prévios exaustivos, que procuraram eventuais incompatibilidades com a fé islâmica.

O mais engraçado de tudo isto, é que por vezes, são os próprios islâmicos que são incompatíveis com a fé que professam, e que por vezes defendem até a morte.

E isto demonstra-se com um breve exemplo, ligado à área do Direito, mas bastante elucidativo:

Para a religião muçulmana, a ideia da existência de um juro em qualquer contrato é inconcebível. Se eles fossem cristãos, a cobrança de um juro constituiria um pecado gravíssimo. Mas pensemos nos fundamentalistas dirigentes do Hamas ou da Al-Qaeda: sendo mais do que sabido que eles são bastante ricos, é também óbvio que têm contas de depósito a prazo.
Ora, sendo assim, estes muçulmanos ditos fundamentalistas recebem todos os meses um juro do Banco, ganhando dinheiro de uma forma que, de acordo com os cânones islâmicos, é imoral e inconcebível.

E alguém vê manifestações, carros incendiados e motins na rua por causa disto?

Não.

Mas a Sony deixa de lançar jogos e a BBC corta a liberdade criativa dos seus programas...

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