sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Relativismo e indiferença

Vivemos numa época onde tudo é relativo e indiferente. Hoje em dia, as pessoas guiam-se por modas e opiniões alheias para formarem as suas próprias convicções.

Uma das grandes causas desta indiferença é a tolerância. Parece um contrasenso, mas vendo bem, acaba por não ser assim.
A tolerância, quando é levada a extremos, torna-se quase tão perigosa como a intolerância em excesso.

Hoje em dia, em nome da tolerância, é impossível que alguém tome partido em questões controversas. É proibido ter opiniões e convicções fortes. Quando se tem opiniões fortes, é-se automaticamente rotulado de intolerante face às outras opiniões possíveis acerca do mesmo assunto.

A tolerância impede cada um de pensar pela sua própria cabeça. Porque se alguém pensa pela sua própria cabeça, não está a seguir as ideias politicamente correctas que, em nome da tolerância, devem ser partilhadas por todos.

No fundo, todos os tolerantes acabam por ser intolerantes. Não admitem que se discorde das posições “oficiais”. Quem discorda, não o faz por se sentir intelectualmente livre, mas sim porque é intolerante perante essas mesmas ideias.

E isto é extremamente grave. Isto significa que todos devem ser iguais e pensar da mesma forma. As diferenças devem ser erradicadas, e as pessoas devem pensar de acordo com uma forma padronizada e pré definida.

Isto faz com que as pessoas se esqueçam de pensar e aceitem passivamente tudo aquilo que lhes é sugerido. E porquê? Porque se discordarem, serão intolerantes.
Isto é visível nas gerações mais jovens da nossa sociedade. Parecem um autêntico rebanho, sem ideais, que só pensam nas coisas estritamente necessárias e, quando o fazem, vão sempre de acordo com o sentido adoptado por quem os guia.

A falta de personalidade destas gerações é um trunfo enorme para quem as pretenda corromper. Basta persuadi-las de que aquela ideia é certa, mostrar-lhes um conjunto significativo de pessoas que a tomam como correcta, e imediatamente essa ideia passa a ser uma posição válida e defendida por todos.

Infelizmente não sei o que será necessário fazer para pôr, literalmente,as pessoas a pensar.

Mas é urgente que se pense, para que tudo não se torne relativo e indiferente.

1 comentário:

Duarte Sousa disse...

De facto, estamos cada vez mais em 1984.