quarta-feira, 22 de outubro de 2008

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Viva a crise

Há uma palavra recorrente no vocabulário português: crise. Não há semana, mês ou ano em que esta palavra não seja utilizada, analisada e escalpelizada até ao mais ínfimo pormenor.

A verdade é que vivemos em crise desde que me lembro. Nunca houve uma altura (excepto durante a Expo e o Euro) em que Portugal acordasse e se sentisse feliz com ele próprio, sem a tão afamada crise a espreitar-lhe por cima do ombro.

Ora, sendo isto assim, das duas uma: ou vivemos mesmo em crise há mais de 20 anos, ou então não passamos de uns exagerados, que recorrem à crise por falta de assunto.

Se vivemos em crise há mais de 20 anos é grave. Porque de ano para ano a crise agrava-se. Se em 2005 estávamos com 6,83% de défice, parece que agora estamos bem pior. Mas em 2005, a tal crise que atravessávamos já era o fim do mundo. E esta crise? É o fim do mundo em versão alargada? Ou o mundo já acabou e mesmo assim conseguimos estragar tudo outra vez?

Se, por outro lado, a crise se utiliza por falta de assunto, é igualmente grave. Mas, pensando bem, faz parte de nós, portugueses. Mal seria dos portugueses se não estivessem tristes, não lhes doessem os ossos todos e não atravessassem a maior crise de que se lembram. Mal seria dos portugueses se não se queixassem compulsivamente e (por uma vez) arregaçassem as mangas e enfrentassem os seus problemas.
Se não houvesse crise, de que é que nos queixávamos? De que é que conversávamos com o senhor do barbeiro quando se esgotasse o tema do futebol?

Portanto, a crise que temos há mais de 20 anos não é mais do que um bom assunto de conversa. É esta a verdade nua e crua. Os portugueses têm de estar permanentemente a atravessar uma qualquer crise e a crise que atravessam tem de ser sempre a pior de sempre. Para poderem especular, fomentar a comunicação social e dar emprego aos "Josés Gomes Ferreiras" deste país.
Para poderem escrever, ter blogues e discussões acaloradas.

A crise não é mais do que uma necessidade de socialização dos portugueses. É através dela que nos sentimos intelectualmente reconhecidos e socialmente aceites, porque quem não tem uma opinião sobre a crise não passa de um ignorante.

Mas, por outro lado, é esta mesma crise que nos diminui os rendimentos e nos aumenta os encargos.

Mas isso não passa do reverso da medalha.

Viva a crise e a socialização que ela nos permite!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Joe, the plumber

Fiquei hoje a conhecer um americano. Joe, the plumber, é o seu nome. É canalizador e trabalha por conta de outrem há mais de 20 anos.

Como todo o americano tem o seu sonho, Joe não foge a regra. E o seu sonho consiste em juntar-se a uns quantos colegas e comprarem a empresa onde trabalham, de forma a serem patrões de si próprios.

Mas há um problema. Joe estudou um pouco, e percebeu que pode estar a ser enganado. Afinal, a compra da empresa pode-lhe permitir livrar-se do patrão, mas pode também significar o pagamento de mais impostos, dado o aumento dos seus rendimentos.

O que é que Joe faz? Aproveita a passagem da caravana de Barack Obama pela sua cidade, e confronta o candidato com o seu problema, numa ocasião onde ele se encontrava rodeado de câmaras.

É nesta altura que paramos o raciocínio e damos os parabéns ao staff da candidatura de Barack Obama. E porquê? Porque tiveram uma das melhores jogadas de marketing político de sempre. Obviamente, este pacato canalizador fez parte de uma grande encenação montada pela campanha de Obama.

Só não percebe isso quem não quer.

Ora vejamos: como é que Joe, um mero americano de classe média, chega à fala com o próprio candidato, furando o batalhão de seguranças que o rodeia? Como é que Joe chega à fala com Obama no preciso momento em que todas as televisões estão a gravar, e ninguém sabe que tipo de pergunta, reparo ou comentário poderá vir dali?

Em termos de marketing político (e pessoal, no caso de Joe), esta encenação foi genial. Mas em termos pessoais e humanos demonstrou, uma vez mais, a plasticidade de Obama, que precisa de contratar figurantes no seu próprio país para lhe fazer perguntas que, quase de certeza foram previamente ensaiadas, e para as quais Obama tinha uma resposta na ponta da língua, como se estivesse a desbobinar uma cassette.

Se o Sócrates aprende isto, os portugueses que se cuidem porque nas próximas eleições, seja em que terra for, lá teremos um Sr. Silva ou coisa que o valha a fazer perguntas a Sócrates sobre o "brilhantismo da sua governação".

Foi assim que a crise começou


Crise agrava-se


quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Quem manda afinal?

A crise que sofremos hoje tem alterado alguns paradigmas que, até há pouco tempo, se mantinham sólidos e quase inquestionáveis.

Por exemplo, num contrato de crédito, sempre se supôs, e sempre se disse que a parte mais forte é a entidade credora, enquanto que o devedor surge como a parte mais fraca, merecendo a maior protecção legal possível.

No entanto, nesta crise, os devedores passaram a ser a parte mais forte. Basta ver que conseguiram fazer com que as entidades que lhes emprestaram o dinheiro falissem, apenas e só porque os devedores não lhes pagaram.

E isto não deixa de ser irónico.

Apesar de haver algum fundo de verdade quando se diz que os Bancos exploram os seus clientes na concessão de crédito, julgo que esta crise mostra bem como esse paradigma se inverteu. Bastou que os vários devedores se unissem inconscientemente e incumprissem em massa com as suas obrigações para com os Bancos.

Provavelmente, esta crise irá trazer grandes modificações na concessão de crédito, que se irá tornar mais rigorosa, dada a desorientação neste ramo da actividade bancária, como já disse aqui. Irá acabar a era do crédito fácil, e os Bancos passarão a fazer análises de risco bastante mais rigorosas.

Contudo, não podemos dizer que será o fim do crédito, porque não são só os clientes dos Bancos que precisam de crédito. Os próprios Bancos necessitam de conceder crédito, pois essa é uma das formas mais importantes de aplicarem o dinheiro que recebem, e de ainda lucrarem com isso.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Ele também fuma


Reflexões sobre a crise

A crise económica expande-se agora para a Europa. Numa altura onde muitos de nós podemos ser afectados, é importante reflectir um pouco, encontrar as razões da crise e aprender com os erros para que isto não se repita.

Começando pelo princípio: a crise acontece, em primeiro lugar, porque se emprestou dinheiro a quem não o podia pagar. Isto mostra bem como, ao contrário do que se diz, os devedores são bastante poderosos. Bastou que inúmeros devedores incumprissem para que os credores fossem à falência.
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Por outro lado, é importante reconhecer que os Bancos trabalham com pouco capital próprio, ou seja, o dinheiro entra sob a forma de depósitos, para logo sair como crédito. E, na maioria das vezes, o montante dos créditos é bastante superior ao montante dos depósitos. No fundo, toda a actividade bancária assenta numa lógica de confiança das pessoas na instituição.
Assim que a confiança é perdida, a instituição morre.

E aqui entra a importância da regulação do sector bancário. A regulação do sector bancário não mantém a confiança por si. Mas, ao estabelecer diversos requisitos aos Bancos, garante aos seus clientes que aquela instituição, por ter sido inspeccionada e por funcionar de acordo com certos critérios, pode ser digna de merecer a confiança do público em geral.
No que respeita ao papel da entidade reguladora, verifica-se que ele é bastante intenso para questões de liquidez, solvabilidade e gestão de riscos.
A meu ver, é no campo da solvabilidade que a regulação desempenha um papel importantíssimo, sendo que em Portugal é imposto aos Bancos o chamado "ratio de solvabilidade", que determina a percentagem de capitais próprios e de fundos emprestados que podem compor o balanço anual de um Banco.

Mas, voltando à questão da crise, porque será que ela começou?

É tudo uma questão de lógica do mercado. Durante anos sem fim, os juros extremamente baixos originam uma expansão sem precedentes do crédito, com as pessoas a pedirem mais dinheiro emprestado, sobretudo para a compra de casas. Ora, se estes créditos serviam para pagar as casas, era natural que se vendessem mais casas e, como tal, o preço das casas disparou, chegando a um ponto onde descola completamente do valor real, não sendo mais do que um preço empolado e artificial. Esta subida do preço das casas, por sua vez, vai contribuir para o aumento do crédito. E como? É simples. Se eu tenho uma casa que na realidade vale 10, mas pela qual o mercado me dá 100, consigo ir a um banco e pedir um crédito de 20, dando como garantia a minha casa, que, artificialmente, vale 100.
Portanto, não foi só o crédito à habitação que despoletou a crise. É certo que ele é a base da crise, mas é preciso ter em conta todos estes créditos paralelos, que só surgem com o aumento desproporcionado dos bens que os bancos exigiam como garantia para a concessão de crédito.

Além de tudo isto, é importante não esquecer que os Bancos actuam de acordo com um modelo de originação e distribuição. Ou seja, os bancos originam e distribuem crédito de uma forma tal que se chega a um ponto onde já é praticamente impossível avaliar o risco de concessão de crédito a uma certa pessoa.
Um breve exemplo: imaginemos um crédito à habitação, onde o banco empresta uma dada quantia. O Banco, depois de emprestar o dinheiro, e para diminuir o risco, vende parte ou a totalidade do crédito às chamadas SPV, através da emissão de obrigações hipotecárias. Essa SPV, por sua vez, vende esse crédito a outra SPV, emitindo os chamados CDO's que, por sua vez, são vendidos a uma nova SPV, mediante a emissão dos chamados CDO2.
Portanto, de acordo com este exemplo, há uma empresa, na cauda do crédito, que tem direitos sobre CDO, que por sua vez têm direito sobre obrigações hipotecárias, que por sua vez têm direito sobre o crédito à habitação longinquamente concedido pelo Banco.
Assim, com toda esta rede na concessão de crédito, torna-se difícil medir o risco, que é um elemento essencial da concessão de crédito. Como tal, concede-se crédito fácil, aumentando o endividamento.

Como é óbvio, no caso do crédito à habitação, além de um incumprimento em massa, houve também quem tenha reparado que o preço das casas estava altamente inflacionado, e o mercado começa e vender como se não houvesse amanhã, originando a queda do preço das casas.

Com tudo isto, cria-se uma grave crise de confiança nos bancos de investimento, havendo dúvidas acerca da sua solvabilidade, e as pessoas venderam em massa as acções desses bancos, originando a sua falência.

Isto explica parcialmente a crise financeira.

Além de todos estes factores, é importante não esquecer o poder do mercado bolsista e (especialmente) dos investidores, em todo este processo.
O fenómeno conhecido como short-selling também ajudou a diminuir drasticamente o valor em Bolsa de certos títulos, originando a falência das respectivas instituições.
Mas o que é o short-selling? Basicamente, o short-selling consiste em vender em Bolsa aquilo que não se tem. Em condições normais, e quando utilizado com prudência, o short-selling acaba por ser vantajoso porque aumenta a liquidez do mercado. Neste caso, e nesta crise, pode ser (talvez tenha sido) absolutamente destruidor.
Exemplificando, o short-selling permite-me a mim vender hoje uma acção que não possuo, numa altura onde o preço dessa acção está em alta. Ou seja, vendo hoje a acção que não tenho, e depois tenho o máximo de 5 dias para a ter e para a entregar ao comprador.
Portanto, o que é que eu vou ter de fazer? Vou ter de pedir acções emprestadas, pagando por isso uma certa taxa de juro. O problema é que, mais tarde ou mais cedo, vou ter de as adquirir, preferencialmente a um preço mais vantajoso, que me permita pagar o juro e ainda ganhar dinheiro.

O grande problema é que, caso haja muita gente a fazer isto, há permanentemente uma pressão no mercado para que as acções baixem, dado que os short-sellers precisam de comprar as acções a um preço que cubra (pelo menos) o valor do empréstimo e da taxa de juro, podendo levar a situações graves de manipulação do mercado.

Para as empresas em Bolsa isto é perigoso, já que as empresas têm um valor de cotação, que pode baixar devido ao movimento de short-selling, fazendo com que os credores dessa empresa "apertem" com os administradores. Pode até chegar-se a um ponto onde o short-selling faz o valor das acções baixar de uma forma tão drástica, que o que ontem valia dinheiro hoje é papel, e a empresa tem de abrir falência devido ao short-selling.

Portanto, é urgente tomar medidas que avaliem o risco de concessão de crédito, e que limitem o short-selling a dadas pessoas e em dados momentos, para que esta crise não se repita.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Talvez descer?

Enquanto os preços do petróleo vão baixando, a gasolina mantém-se aos preços a que estava quando o petróleo rondava os 130 dólares.

Tendo em conta que o petróleo está agora nos 90 e poucos dólares, parece que as gasolineiras se esqueceram que a gasolina que vendem deriva (por incrível que pareça...) do tal petróleo. O mesmo petróleo que perdeu quase 60 dólares na sua cotação nos últimos dois meses.

Fazendo umas contas rápidas, conclui-se que para que a gasolina 95 baixe 20 cêntimos (para 1,25€), será necessário que o petróleo perca quase 70 dólares na sua cotação actual, ou seja, que o barril passe a custar perto de 20 dólares.

O mais engraçado é que, quando o petróleo estava a 20 dólares o barril, a gasolina 95 ainda custava menos de 1 Euro...

Meanwhile, em Espanha, a escassos 30km do local onde estive no fim de semana passado, a gasolina 95 estava a 1,16€. Partindo do princípio que os nossos amigos espanhóis fazem a gasolina também com petróleo, e que o compram ao mesmo preço que nós, não podem ser só as diferentes cargas fiscais a explicar tamanha diferença de preços entre Portugal e Espanha.

Resumindo e concluindo: há aí alguém que anda a meter muito dinheiro ao bolso...

"Felizmente"

"O argumento de que a maioria dos europeus prefere Obama a McCain não tem qualquer peso eleitoral, só mostra a parvoíce dos europeus e como acaba por ser eficaz a diabolização que a esquerda se encarrega de promover desde que se trate dos Estados Unidos e dos republicanos, enquanto se vai babando, extasiada, de socialismo prospectivo. "

Genial, o artigo de Vasco Graça Moura no DN. Quem me dera ter sido eu a escrevê-lo...

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Sucessão de falências

A crise não pára, e as falências de grandes empresas internacionais sucedem-se. Hoje, foi a vez da AIG, companhia de seguros também conhecida por patrocinar o Manchester United, quase ter falido.

Qual será a vítima de amanhã? 

Oposição pelo silêncio

Manuela Ferreira Leite (MFL)  inaugurou uma nova forma de fazer oposição: através do silêncio. Muitos são os críticos desta maneira de estar na política. Para eles, oposição é sinónimo de barulho, como se a vitória nas próximas eleições fosse conquistada com peixeiradas e demagogia.

A oposição pelo silêncio tem uma grande vantagem: preserva ao máximo a imagem de MFL. É sabido que MFL não prima pelos dotes oratórios, e que a sua capacidade retórica é sofrível para um líder do maior partido da oposição. Portanto, nada melhor do que o silêncio para não ser apanhada em falso.

Por outro lado, o silêncio de MFL beneficia-a cada vez que ela fala. À semelhança de Cavaco (que fez "parar" o País naquela sua comunicação em Julho passado), MFL é ouvida de cada vez que decide falar, por mais corriqueiro que seja o assunto. A sua carapaça de silêncio faz com que todos a ouçam quando ela "sai da toca" e intervém. E quando intervém, fá-lo de uma forma séria, descomplexada e, embora aquele ar "blasé" de quem está ali a fazer um frete, MFL convence e impulsiona o PSD nas sondagens.

Por último, o tão propalado silêncio tem uma vantagem enorme, que julgo nunca ter sido abordada. O facto de MFL estar calada perante os tropeções do Governo faz com que se levantem outras vozes que, caso contrário, se manteriam silenciosas. Com o seu silêncio, MFL dá oportunidade a outros opositores "não oficiais" do Governo de se manifestarem, e de desgastarem o Governo. Se MFL falasse a torto e a direito, muitos dos que têm falado em pretensa substituição de MFL ficariam calados, e não incomodariam Sócrates nem corroeriam o seu Governo, desbaratando a maioria absoluta.

Por tudo isto se vê e se conclui que, uma vez mais, o silêncio é (mesmo) de ouro...

sábado, 13 de setembro de 2008

Google Chrome

Regresso das férias para deixar uma breve sugestão: o browser do Google. Pronto para competir com os (agora) velhinhos Internet Explorer e Firefox, o Chrome cheira a novo, é bastante eficaz e pode ser obtido gratuitamente aqui.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Penhoras do fisco

O fisco vai avançar com penhoras de bens porta-a-porta já este mês.

Escolhem o mês certo para apanhar as pessoas em casa...

O mês de Julho e Cavaco

Já passou mais de um mês desde que escrevi aqui pela última vez. E num mês, muita coisa aconteceu.

Tivemos guerrilha urbana às portas de Lisboa, com tiroteios e lutas de gangues pelas ruas. Tivemos Chávez de novo em Portugal, reabrindo uma ou outra torneira de petróleo para nos manter contentes. Tivemos Sócrates, na sua prepotência habitual, fingindo não perceber que está a perder votos. Tivemos mortes, crimes de faca e alguidar. Tivemos o caso Maddie, com escassos desenvolvimentos.

Enfim, tivemos basicamente o costume, mas apenas com um pouco mais de calor.

A única diferença foi, sem dúvida, a comunicação de Cavaco Silva ao País. E, apesar de já ter passado algum tempo, foi este assunto que me motivou a vir "sacudir o pó" a este blogue, ao fim de mais de um mês de inactividade.

Com aquela comunicação ao País, Cavaco desceu à Terra. Abandonou o patamar supra-partidário que o tinha caracterizado, e falou ao País sobre um assunto que interessava a poucas centenas de portugueses.

Do ponto de vista táctico, Cavaco esteve bem e mal em simultâneo. Falou em público de um problema que o incomodava, e com isso pressionou o PS a alterar o Estatuto dos Açores. Se não o fizesse, e se expusesse o assunto em privado, arriscava-se a que o PS aprovasse o Estatuto tal como ele estava, e o problema mantinha-se.
Por outro lado, Cavaco errou. Errou porque criou um suspense desnecessário à volta de um assunto que não interessava à esmagadora maioria dos portugueses. E isso pode sair-lhe caro no futuro, porque as suas comunicações ao País deixam de ser vistas como algo usado em casos sérios e graves, passando a ser vistas como mais um elemento da politiquice barata que é feita em Portugal.

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Finalmente livre

Ingrid Betancourt foi ontem finalmente libertada. Esperemos que ela não se lembre de visitar o nosso País durante a Festa do Avante porque, dada a presença das FARC, corre o risco de ser novamente raptada...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Férias

Depois de uma extenuante época de exames, irei tirar umas pequenas férias. De vez em quando, escreverei aqui algumas coisas, mas com uma frequência bastante menor.

Boas férias a todos.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

O futuro de Sócrates

Aproveito agora para falar de um tema que não está directamente na agenda política, mas que julgo ser necessário abordar quanto antes: a recandidatura de Sócrates em 2009.

E o tema é sério, não porque me preocupem as intenções de Sócrates, mas sim porque me preocupa o estado da oposição para ser governo já a partir de 2009.

É que, neste momento, não é líquido que Sócrates se recandidate em 2009. O autoritarismo que tem caracterizado a sua primeira legislatura fez com que ele não saiba governar sem maioria absoluta. E com a crise internacional a entrar em força em Portugal, e com Manuela Ferreira Leite no PSD, é altamente provável que Sócrates perca (pelo menos) a maioria absoluta que lhe permitiu 4 anos de despotismo (pouco) esclarecido.

A perda da maioria absoluta justficaria, assim, uma retirada de Sócrates, que manteria a sua invencibilidade eleitoral, e evitaria entrar num Governo minoritário, onde as grandes decisões (Orçamento, por exemplo) estariam reféns de cedências e convergências que são do desagrado de Sócrates.

E para onde iria Sócrates? Em princípio, talvez fosse para a União Europeia. Digo "em princípio" porque o fracasso do Tratado na Irlanda pode ter comprometido esta sua ambição internacional (daí Sócrates ter dito que o resultado do referendo tinha sido prejudicial para a sua carreira política). Uma reforma dourada na UE permitiria a Sócrates "arrefecer" a sua imagem, podendo voltar mais tarde, quem sabe até para disputar a Presidência da República.

Resta agora esperar para ver. Na minha opinião, o tema é sério e merece ser discutido e aprofundado. E Ferreira Leite que se cuide, pois não é de todo improvável que o PSD seja Governo já em 2009...

Nota - Algumas das informações deste texto não são meramente especulativas e provêm de pessoas com conhecimento de causa. Se isto que eu disse aqui realmente acontecer, a surpresa será menor...

segunda-feira, 23 de junho de 2008

Breve nota sobre o referendo irlandês

Fala-se em contornar o "Não" da Irlanda.

Mas esse "Não" não foi democraticamente escolhido? Quem é a UE para interferir (ainda mais) na soberania dos seus Estados-Membros, ao ponto de lhes condicionar o poder democrático?

quinta-feira, 19 de junho de 2008

Ouvir...

...e passar para aqui


75 minutos

3 - 1...

É impressão minha, ou o Ricardo só serve para defender penalties?

40 Minutos

2 - 1...

Recuperação épica?

35 Minutos

2 - 0...

Isto só pode correr mal.

Entrevista ao ditador

Assistimos ontem a um dos momentos mais degradantes na televisão portuguesa. Pior do que o Big Brother e todos os outros reality shows juntos. Ontem, pela primeira vez, a nossa televisão pública entrevistou um ditador.

E além de ter entrevistado um ditador, deu-lhe tempo de antena em prime time, permitindo que os portugueses fossem bombardeados com uma propaganda totalitária, repressiva e autoritária.

No entanto, poucas são as vozes que se levantam contra isto. Será que mais ninguém ficou chocado com esta entrevista?

Ainda por cima, a entrevista foi conduzida por Mário Soares que, como todos sabemos, foi conivente com o PREC e todos os atentados às liberdades cometidos nesses períodos.

Se isto acontecesse numa televisão privada, a crítica mantinha-se, mas o escândalo seria menor. O facto de aquele ditador ter sido entrevistado pela televisão pública, na Venezuela (com todas as despesas de deslocação e mobilização de meios que uma operação destas acarreta), faz com que seja vergonhoso que o dinheiro dos nossos impostos seja utilizado neste tipo de coisas.

Mas, tal como já disse, ninguém se importa.

Uma vez mais, faço a mesma pergunta de há algum tempo: e se Chávez fosse de Direita? Será que a RTP o entrevistava? E se o entrevistasse? Que tipo de reacções teríamos?

quarta-feira, 18 de junho de 2008

O erro

Um eventual acordo para ressuscitar o Bloco Central constituirá um dos maiores erros políticos de sempre.

Numa altura onde a nossa sociedade é dominada pelo comodismo, a solução do Bloco Central espelha bem o comodismo que já reina na nossa vida política. É muito mais fácil fundir ideias intrinsecamente diferentes do que ter ideias próprias e pensar pela sua própria cabeça.

A meu ver, nem o PS nem o PSD beneficiariam do Bloco Central. Obviamente que, juntos, governariam Portugal a seu bel-prazer, mas no longo prazo esta solução pode revelar-se desastrosa. Desastrosa porque deixa de haver oposição.

Se o PSD e o PS se juntarem, terão à volta de 210 deputados, sobrando 25, que terão a árdua tarefa de fazer, sozinhos, oposição a um Governo esmagadoramente maioritário. A falta de oposição conduzirá, por sua vez, a um sentimento de impunidade por parte dos governantes, que não se coibirão de aproveitar tudo aquilo que o poder oferece, ainda para mais quando não há oposição.

Será este o futuro que queremos para Portugal?

terça-feira, 17 de junho de 2008

O referendo na Irlanda

Por manifesta falta de tempo, fica aqui uma pequeníssima reflexão acerca do chumbo da Irlanda ao Tratado de Lisboa.

O chumbo da Irlanda fez-me recordar a Áustria. Eu sei que, à partida, poucas coisas unem estes países, mas é certo que são dois exemplos de países que fugiram do politicamente correcto.

A Áustria, por volta de 1996 ou 97, teve o desplante de eleger democraticamente um Governo que fugia aos padrões vigentes na UE. A Irlanda, em 2008, teve o desplante de chumbar democraticamente um Tratado que, por imposição constitucional, tinha de ser referendado.

No primeiro caso, a UE sancionou a Áustria, vencendo por cansaço o Governo de Haider. E agora? Será essa a táctica a utilizar? É que é mais fácil vencer um Governo por exaustão do que vencer os milhões de Irlandeses que aceitaram o Tratado.

No entanto, parece-me que o rumo será esse. Já vários membros da Comissão vieram dizer que, como o Tratado foi chumbado, há que haver novos referendos, até que se restaure o politicamente correcto e o Tratado seja aprovado. Foi assim com a Dinamarca, e será essa a sorte da Irlanda.

No meio de tudo isto, temos ainda Sócrates, grande obreiro do Tratado. Se lhe restasse um pingo de humildade, Sócrates devia declarar publicamente o seu apoio à consulta popular na Irlanda, e procurar arranjar novos rumos para a União Europeia.

Contudo, não será (nem foi) isto que aconteceu. Sócrates preferiu seguir a linha da Europa, e aderir ao politicamente correcto, condenando o referendo, e mostrando-se favorável a uma construção federalista europeia "à pressão".

É caso para perguntar: e onde está a Democracia?

segunda-feira, 16 de junho de 2008

Revelações ou a importância da experiência

Ao longo destes meses, tenho escrito aqui numa espécie de anonimato, que é coisa comum da blogosfera.

Apesar de não ser minimamente conhecido na vida pública, o facto de escrever apenas com as iniciais do meu nome dá-me um desprendimento para a tomada de certas posições que de outra forma não teria. Ou melhor, até teria esse desprendimento, mas talvez de uma forma mais contida.

Serve isto para dizer que estou um pouco cansado do anonimato em que tenho escrito. Por enquanto, não é esta a altura de revelar o meu nome (até porque isso não adiantaria muito...), mas gostava de informar os leitores deste blogue da minha idade.

Completei 22 anos há três dias. E a partir de agora estou preparado para todas as críticas. Desde a inexperiência à precipitação normal da idade, digam aquilo que bem entenderem. Mas devo desde já dizer que críticas dessas de nada adiantam.

Quem discorde de uma certa posição por mim tomada cometerá um grande erro se me atacar por falta de experiência. Porque aqui discutem-se ideias e convicções, não se discutem estados de alma ou problemas pseudo-existenciais de uma eventual adolescência tardia.

PS - Revelada a minha idade, revelo também o motivo da minha ausência: exames. Estou a terminar o 4º Ano de Direito, e sobra-me pouco tempo para vir até aqui...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Então adeus

Chelsea confirma Scolari como novo treinador

Falta de gasolina

Com a escassez de gasolina, se Portugal ganhar hoje, será que alguém vai festejar para o Marquês de Pombal?

Nova greve

Depois de já me ter insurgido aquando da greve dos pescadores, volto a fazê-lo com a greve dos camionistas.

Ou melhor, com a greve de alguns camionistas. Porque outros há que pretendem trabalhar e fazer as suas entregas a tempo e horas, sendo depois barrados e impedidos pelos colegas de profissão que estão em greve.

Portanto, esta greve cai à partida por ser imposta. Ela não resulta apenas de um esforço de mobilização dos camionistas. Esta greve resulta, sim, de um esforço de intimidação e de bloqueio dos camionistas grevistas face aos não grevistas.

Imagine-se o que seria se numa das greves habituais da Função Pública os sindicalistas fossem a casa dos funcionários públicos à força e os arrastassem para a sua manifestação. Todos se revoltariam contra um atentado à liberdade como este, não era?

Pois bem, na greve dos camionistas sucede exactamente o mesmo. Os camionistas obrigam todos os seus colegas a fazerem greve, transformando um direito de exercício voluntário num direito de exercício obrigatório. E ao obrigarem ao exercício desse direito, por vezes até perdem a vida...

E no meio de tudo isto, onde está a polícia? Será preciso elencar novamente a lista de direitos que estão a ser violados e os crimes que estão a ser cometidos pelos camionistas em greve? Porque é que, mais uma vez, a polícia não intervém?

Será que lhes falta gasolina para irem até aos sítios da greve? Será que têm medo dos camionistas? Será que os polícias continuam a achar que a greve é sagrada?

terça-feira, 10 de junho de 2008

Surpreendente

Foi fundada a Associação Ateísta. Ler mais n' O Povo.

São retrógrados

Todos nós temos uma raça. Uns são brancos, outros pretos, outros amarelos, encarnados, etc etc. Mas é certo que raça, como já referi, todos temos, seja ela qual for.

O facto de o PCP e o Bloco de Esquerda se insurgirem contra o facto de Cavaco se referir ao dia de hoje como Dia da Raça é absolutamente ridículo, e demonstra apenas a falta de interesse da nossa vida política, que perde tempo com assuntos estapafúrdios como este.

Mas, se a extrema-esquerda perdeu tempo com isto, há tentar (ainda que infrutiferamente) chamá-los à razão.

Para o PCP e o Bloco de Esquerda, o facto de o Presidente se ter referido ao 10 de Junho como o Dia da Raça não deveria ser perturbador. Com efeito, se a variedade de raças é enorme, o facto de o Presidente se referir ao dia de hoje como o Dia da Raça mostra bem o esforço inclusivo feito por Cavaco Silva, para levar o Dia de Portugal a todas as raças que, como sabemos, povoam o nosso País.

Portanto, custa ver a extrema-esquerda, sacrossanta defensora das igualdades ainda que as diferenças sejam inconciliáveis, uivar contra uma declaração tão abrangente e inclusiva de Cavaco, que dirigiu como que um convite a todas as raças para comemorarem o 10 de Junho.

A razão desta indignação é simples, e diz-se em poucas palavras: a extrema-esquerda é retrógrada. Isso mesmo. Retrógrada. E é retrógrada porque, assim que ouve falar em raça, vem-lhe imediatamente à ideia a superioridade da raça branca, uma ideia do passado, que todos sabemos que não estava, nem estará em causa, no ano de 2008, em Portugal.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

E se baixassem o ISP em vez disto?

Postos de abastecimento em auto-estradas obrigados a dizer preços dos concorrentes

Ridículo

Leio no DN de hoje que a RTP foi impedida de transmitir em directo uma tourada às 17h30. As razões invocadas diziam que, a essa hora, há muitas crianças a ver televisão, e que uma tourada é demasiado violenta e susceptível de chocar o público mais jovem.

Enquanto isso, liga-se a televisão na TVI, às 18h00, e vêem-se os "Morangos com Açúcar". Nessa novela, a troca de parceiros sexuais é frequente, o uso de drogas é "fixe", e o respeito pelos pais e professores é inexistente.

Não serão os "Morangos"mais chocantes do que uma tourada?

Balanço da manifestação

Por motivos profissionais, tive hoje oportunidade de "assistir" ao princípio da manifestação da CGTP em Lisboa, no Marquês de Pombal.

Por muita concentração que se tenha enquanto se trabalha, foi para mim inevitável tirar as seguintes conclusões:

1 - A maioria dos manifestantes eram alentejanos
2 - A esmagadora maioria dos manifestantes não sabe bem o que lá está a fazer. Com efeito, antes de entrar para o prédio onde estava, ouvi um manifestante a perguntar a outro: "Olha lá, este cartaz é para ir ou não?" O outro responde: "Não sei. Leva na mesma para parecerem muitos."
3 - Havia vários manifestantes de muletas, o que significa que podem estar de baixa para não trabalharem, mas que o facto de estarem de muletas não os impede de faltar a uma "patuscada" destas
4 - Os slogans são os mesmos desde há 30 anos, e os homens dos megafones também. Além de me terem proporcionado um concerto de "Grândola Vila Morena" (a música repetiu TODA, pelo menos 20 vezes), ouviram-se os clássicos "CGTP unidade sindical" e "A luta continua", o mais recente "Mentiroso!" e o (para mim) novo "O custo de vida aumenta mas os bolsos não alargam", entre muitos outros
5 - Apesar de o direito de manifestação ser muito bonito, esta manifestação arruinou-me uma tarde de trabalho. Que os manifestantes não trabalhem e saiam para a rua, muito bem. Agora é inadmissível fazerem aquela barulheira infernal, durante quase duas horas, prejudicando todas as pessoas que tentam trabalhar na zona da Av. Fontes Pereira de Melo e do Marquês.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

terça-feira, 3 de junho de 2008

Será preciso?

Galp será obrigada a divulgar custos e proveitos do armazenamento e transporte de combustíveis

O Estado tem uma goldenshare na Galp que lhe permite aceder a esta informação. Será que o ministro não sabe?

O relatório esperado

Afinal não há estratégia anti-concorrencial por trás dos preços dos combustíveis. Nem cartel, nem concertação de preços.



Os preços estão assim porque têm de estar, as empresas de combustíveis não roubam os consumidores, e vamos andando, felizes e contentes, nesta ilusão de que existe mercado de combustíveis em Portugal.

segunda-feira, 2 de junho de 2008

Vergonhoso

Numa altura de grave crise, onde são pedidos inúmeros sacrifícios financeiros, custa ler esta notícia do Público.

O Estado, não contente com os impostos que arrecada, auto-prejudica-se nessa patriótica missão de redução do défice por ter gasto 800 milhões de Euros irregularmente.

Enquanto que os portugueses poupam e espremem os seus rendimentos até ao fim do mês, o nosso (des)Governo gasta "à tripa forra", desbaratando 800 milhões de Euros de forma irregular.

Está visto para que servem os 184 dias que os portugueses trabalham só para pagar impostos...

Peixe português ou espanhol?

ASAE identifica 30 quilos de pescado impróprio no mercado da Quarteira

O regresso

Inter de Milão confirma contratação de José Mourinho

domingo, 1 de junho de 2008

A greve é um direito...como outro qualquer

Os pescadores estão em greve contra o aumento dos combustíveis. Estão no seu direito. Mas será que o facto de fazerem greve lhes dá o direito de bloquearem estradas e inspeccionarem malas de veículos privados?

Pelos vistos, sim. Parece que o facto de se estar em greve justifica tudo, como se a greve fosse um direito inatacável, que se posiciona acima de qualquer outro direito ou liberdade individual. Quem eram aqueles pescadores para mandar abrir malas de carros, sob ameaças de violência? O facto de estarem em greve dota-os de algum poder público que lhes permita fazer isto?

São atitudes como estas que fazem com que as greves tenham pouco efeito em Portugal. Os grevistas acham-se sempre cobertos de razão, e ao abrigo do seu direito à greve fazem coisas inexplicáveis, que desviam a atenção dos motivos da greve para as consequências dessas mesmas atitudes.

E no meio de tudo isto, onde estava a polícia? Ali havia claramente motivos para uma intervenção policial. Havia um bloqueio a uma propriedade privada, havia ameaças à integridade física e havia violação de propriedade privada de cada vez que alguém era forçado a abrir as malas dos carros. Além disso, havia ainda crime de dano, de cada vez que era destruído o peixe que as pessoas levavam. Com jeitinho, poderia até configurar-se o crime de furto, visto que as coisas eram retiradas aos seus proprietários com violência.
Perante toda esta panóplia de crimes e violações, porque é que a PSP, a GNR ou a Polícia Marítima não estavam lá? Estou certo de que cada uma destas entidades sabia perfeitamente dos excessos que eram ali cometidos.

Mas se sabiam, porque é que não foram lá? É simples: não foram lá por medo. Os polícias deste país não exercem a sua autoridade (à qual estão obrigados, ainda que estejam fora de serviço) porque acham que, ao abrigo do direito à greve, podem cometer-se todos os atentados contra direitos individuais.

O direito à greve não é sagrado. É pena que muita gente ainda ache o contrário...

Avião fretado

Será que se pode fumar no avião da Selecção?

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Tensão

Cavaco Silva contraria Jaime Silva e defende mais apoios aos pescadores

É impressão minha. ou esta crise dos combustíveis está a originar uma crise nas (alegadas) boas relações entre Cavaco e o Governo?

quinta-feira, 29 de maio de 2008

O debate de ontem

Gostei do debate de ontem na SIC. Apesar de o excesso de candidatos prejudicar uma discussão clara das opções de cada um (e de ser difícil fazer debates a dois, porque ninguém vai perder tempo a debater com Patinha Antão...), o debate de ontem deu para tirar algumas conclusões.

Em primeiro lugar, deu para ver o crescimento político de Pedro Passos Coelho. Se ao princípio, Passos Coelho poderia ser visto como um outsider, neste momento é visível que ele é, a par com Ferreira Leite, o candidato com maiores possibilidades de ganhar as eleições.

Em segundo lugar, há que falar de Santana Lopes. Há que falar dele, e do erro que ele cometeu ao candidatar-se à liderança do PSD. A sede de protagonismo foi, novamente, mais forte do que ele, forçando-o a avançar para uma batalha perdida à partida e para (mais) uma humilhação pública, com o consequente desgastamento de imagem.

É também importante falar de Manuela Ferreira Leite. Entrou para o debate como favorita, e saiu de lá ainda mais favorita. Apesar de não ter tido a melhor das prestações (confundiu-se, e foi "entalada" pela jornalista quando questionada acerca da matriz social-democrata), Ferreira Leite conseguiu impedir os restantes candidatos de diminuirem a vantagem que os separa dela. E a dois dias das eleições, é mais importante conseguir que os outros não se aproximem do que tentar que eles se afastem a todo o custo.

Por fim, como é hábito, Patinha Antão. Devo dizer que até gostei de algumas das propostas teóricas que lançou, bem como de algumas partes do seu discurso, que conseguiram ser coerentes e unificadoras. No entanto, ficou-lhe mal o uso do argumento de piedade ("Eu sou um simples homem da sociedade civil") e, sobretudo, ficou-lhe muito mal as constantes interrupções feitas enquanto os candidatos falavam. Os seus inúmeros "Hum" e "Peço desculpa mas isso não é verdade" não abonam a seu favor. Por momentos, quase parecia que estava no hemiciclo, só faltando os sempre úteis "Muito bem!", de cada vez que Santana Lopes falasse.

Agora aproximam-se as eleições. É certo que Ferreira Leite ganhará, embora Passos Coelho merecesse uma oportunidade de pôr em prática o tal discurso liberal que tem levado a cabo.

É a crise...

Lojas de penhores em Lisboa e Porto tiveram grande aumento de procura.

É caso para dizer: vão-se os anéis, ficam os dedos...

Já era tempo

Autoridade da Concorrência divulga a 3 de Junho conclusões da investigação à formação dos preços dos combustíveis.

quarta-feira, 28 de maio de 2008

Aleluia?

O título do post abaixo revela o meu/nosso alívio pela descida do petróleo. No entanto, parece-me cedo demais para grandes euforias. Se desceu hoje, é certo que amanhã o petróleo já vai subir.

O que é certo é que, se em vez de ter descido 9 dólares, o petróleo tivesse subido 9 dólares, amanhã teríamos mais uma subida dos combustíveis. E que tal descerem os preços, para variar?

Aleluia

Preço do petróleo cai quase nove dólares devido ao abrandamento do consumo.

Bem feito

Parece que a receita do IVA está a ser afectada pela diminuição da procura de combustíveis.

A mim, parece-me muito bem que isto aconteça. O Estado habituou-se a usar dois mercados para extorquir dinheiro aos consumidores: o do tabaco e o dos combustíveis.

Como são dois produtos que têm uma procura rígida, e de que muitas pessoas precisam, o Estado sempre se habituou a utilizar estes produtos como óptimas fontes de receitas ao longo dos anos. No caso do tabaco, as subidas de preço que derivam apenas de impostos ascendem aos 20% por ano.

Os combustíveis são, apesar de tudo, um mercado mais sensível, embora o Estado pratique a dupla tributação (IVA+ISP), e tenha uma golden-share no principal revendedor de combustível refinado (a Galp).

O problema é que tudo tem limites. E a paciência dos consumidores também tem limites. Chegou a altura onde o Estado tem de rever as suas prioridades, e pensar que os consumidores de combustíveis não têm de andar a pagar as asneiras do défice e outras megalomanias que se fizeram ao longo dos anos.

Os consumidores já estão a deixar de consumir. E o Estado? Quando é que baixa os impostos?

Gente rica...

A Câmara de Lisboa vai pedir 70 milhões de Euros para reabilitação urbana.

Não foi a Câmara de Lisboa que, há alguns meses, ia pedir um empréstimo de 460 milhões de Euros para pagar dívidas?

E agora? Vão endividar-se outra vez, afundando-se ainda mais num enorme buraco financeiro?

Leituras

Brilhante, o texto do Demokrata acerca da homossexualidade.

Para ler aqui.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Ele falou outra vez

O Presidente voltou a falar dos mercados de combustíveis. Finalmente, falou em especulação, que é a meu ver, o grande factor responsável pelos aumentos de preços, não só nos combustíveis, mas também nos alimentos.

O facto de Cavaco já se ter pronunciado duas vezes acerca deste assunto demonstra bem a gravidade da situação. Além disso, todos sabemos que Cavaco é comedido e cauteloso nas suas declarações. Portanto, para Cavaco falar de especulação, é porque sabe de alguma coisa concreta.

Agora falta ver se estas declarações produzem algum efeito. Continuamos à espera do estudo da Autoridade da Concorrência...e aposto que Cavaco também.

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

Não conheço o Governador do Banco de Portugal. Também não sou psicólogo. Mas não é difícil diagnosticar-lhe esquizofrenia.

Vítor Constâncio é uma espécie de Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Quando o Governo não é da sua área política, é uma pessoa pessimista e sombria, que discorda do Governo em (quase) tudo, e que acha que uma eventual luz ao fundo do túnel não passa de uma miragem. Nestes casos, Constâncio dramatiza, revê previsões em baixa, antecipa recessões...enfim, faz, como se costuma dizer, "a vida negra" a quem governa.

No entanto, tudo muda quando Constâncio gosta do Governo. Pode até dizer-se que tudo se transforma num autêntico "mar de rosas", ou não fosse Constâncio um reconhecido socialista. Quando isto acontece, o Governo está sempre correcto, as medidas são sempre as mais acertadas, e não há uma luz ao fundo do túnel...ou melhor, nem sequer há um túnel.

É esta disparidade de critérios que não pode existir num homem que, desde que Portugal passou para o Euro, não tem mais do que uma função reguladora. E a regulação devia ser exercida de forma imparcial.

E já agora, uma questão: o cargo de Constâncio será vitalício?

Aditamento feito a 27/5/2008, às 15:35:

Finalmente, houve alguém que se manifestou contra a parcialidade de Vítor Constâncio.

segunda-feira, 26 de maio de 2008

As declarações racistas de Richards

Aqui fica o vídeo das alegadas declarações racistas de Michael Richards, abaixo mencionadas.

Teimosia

Sócrates diz que ajuda quem mais precisa. Sendo assim, um congelamento do preço dos combustíveis, ou até uma redução do ISP não faz qualquer sentido. O que faz sentido é aumentar abonos de família e congelar passes sociais.

Mas será que Sócrates acha que a gasolina também pára de aumentar se ele congelar os passes? Será que ele acha que a OPEP se assusta com o aumento dos abonos de família e resolve aumentar a produção de petróleo?

Visualmente falando, é espectacular aumentar abonos de família. Depois, lê-se a lei, e conclui-se que afinal aquilo é só para uma camada ínfima da população, que recebe mais 5 euros por mês, ou coisa que o valha.

Já era tempo de o primeiro-ministro perceber que, neste momento, é essencial baixar os preços dos combustíveis. E a situação é de tal forma séria, que acredito que as pessoas preferem poupar directamente na gasolina que consomem, do que receber mais 5 euros em casa com o abono de família.

O special one está de volta

Mourinho assina hoje ou amanhã pelo Inter

Afinal, o que é o racismo?

Numa altura onde o racismo volta a ser falado (por exemplo, na África do Sul), lembro-me de Michael Richards.

Provavelmente o nome dele não sugere nada. Se eu disser que ele era o Kramer na série "Seinfeld", talvez já se lembrem dele.

Há um ano ou dois, Michael Richards actuava num clube, fazendo stand-up comedy, quando fez uma piada sobre pretos. Um preto na assistência mostrou-se indignado e avançou para Tribunal, para que Michael Richards fosse condenado por racismo.

Vagueando pela Internet, encontrei as declarações dele em Tribunal, feitas para sua defesa, e que contêm uma visão acerca do racismo de que eu partilho inteiramente.

«Existem Afro-Americanos, Americanos Hispânicos, Americanos Asiáticos,Americanos Árabes, etc. E depois há os apenas Americanos. Vocês passam por mim na rua e mostram arrogância. Chamam-me 'White boy,''Cracker,' 'Honkey,' 'Whitey,' 'Caveman' ...e está tudo bem.

Mas quando eu vos chamo Nigger, Kike, Towel head, Sand-nigger, CamelJockey, Beaner, Gook, or Chink, vocês chamam-me racista.
Quando vocês dizem que os Brancos cometem muita violência contra vocês, então porque razão os ghettos são os sítios mais perigosos para se viver?

Vocês têm o United Negro College Fund, o Martin Luther King Day, o Black History Mont, o Cesar Chavez Day, o Yom Hashoah, o Ma'uled Al-Nabi.Vocês têm o NAACP.Vocês têm o BET [Black Entertainment Television] (tradução: Televisão de Entretenimento para pretos).
Se nós tivéssemos o WET [White Entertainment Television] seriamos racistas. Se nós tivéssemos o Dia do Orgulho Branco, vocês chamariam-nos racistas. Se tivéssemos o mês da História Branca, éramos logo racistas. Se tivéssemos alguma organização para ajudar apenas Brancos a andarem coma sua vida para frente, éramos logo racistas.
Existem actualmente a Hispanic Chamber of Commerce, a Black Chamber of Commerce e nós apenas temos a Chamber of Commerce. Quem paga por isto?

Uma mulher Branca não pode ser a Miss Black American, mas qualquer mulher de outra cor pode ser a Miss America. Se nós tivéssemos bolsas direccionadas apenas para estudantes Brancos,éramos logo chamados de racistas. Existem por todos os EUA cerca de 60 colégios para Negros. Se nós tivéssemos colégios para Brancos seria considerado um colégio racista.

Os pretos têm marchas pela sua raça e pelos seus direitos civis, como a Million Man March. Se nós fizéssemos uma marcha pela nossa Raça e pelos nossos direitos seríamos logo apelidados de racistas. Vocês têm orgulho em ser pretos, castanhos, amarelos ou laranja, e não têm medo de o demonstrar publicamente. Mas se nós dissermos que temos "Orgulho Branco", vocês chamam-nos racistas.

Vocês roubam-nos, fazem-nos carjack, disparam sobre nós. Mas, quando um oficial da policia Branco dispara contra um preto de um gang ou pára um traficante de droga preto que era um fora-da-lei e um perigo para a sociedade, vocês chamam-no racista.

Eu tenho orgulho. Mas vocês chamam-me racista.Porque razão só os Brancos podem ser chamados de racistas?»

A estratégia

Manuela Ferreira Leite opõe-se à descida dos impostos sobre os combustíveis. Apesar de eu discordar da opinião da candidata à liderança do PSD, tenho de reconhecer que, do ponto de vista estratégico, a ideia de Manuela Ferreira Leite vale muito.

Ao ser contrária à descida de impostos sobre os combustíveis, Ferreira Leite mantém-se coerente com posições que tinha assumido anteriormente, acerca da descida do IVA. Além disso, para quem tem uma campanha baseada na credibilidade pessoal, uma manifestação favorável a uma descida de impostos poderia ser encarada como um resvalamento para o populismo, que é coisa que Ferreira Leite pretende evitar a todo o custo.

A meu ver, esta opinião de Ferreira Leite é daquelas que não ata nem desata. Por um lado, não se compromete a descer este imposto se for eleita primeira-ministra (e já é nisso que ela pensa). Por outro lado, não resvala para um eventual populismo desenfreado ao propor uma baixa de impostos.

Estrategicamente, a opinião é brilhante. No estado actual das coisas, a opinião não faz qualquer sentido.

domingo, 25 de maio de 2008

Incrível

Neste fim de semana saí de Lisboa rumo a Norte, para perto de Coimbra. Percorri cerca de 600 km. Gastei 96 Euros em gasolina para ir e voltar.

São despesas destas que fazem com que as ideias do "vá para fora cá dentro" estejam a ter cada vez menos sucesso.

E não valeria a pena?

E será que não valia a pena o Governo abdicar de uma parte dos lucros que tem tido com a subida dos combustíveis, reduzindo o ISP?

Manuel Pinho acha que não. Prefere esperar que sejam as empresas a cortar nas suas margens de lucro. O problema é que o Governo não pode ser encarado como uma empresa, e por vezes, há que reduzir lucros para manter a estabilidade social.

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Férias

Mais um fim de semana comprido, e mais umas férias do Intromissões. Infelizmente, o blogue vai ficar parado durante estes dias, mas são estas as desvantagens de não ter colaboradores...

No entanto, se Alberto João Jardim se candidatar ao PSD ou se Sócrates se demitir, prometo que encurto a minha pausa, e que arranjo maneira de vir até aqui escrever umas coisas.

Caso contrário, bom fim de semana a todos e até segunda feira.

Braço de ferro

O presidente da Galp veio hoje dizer que o Governo é o responsável pelo aumento galopante dos preços dos combustíveis.

Segundo ele, o preço do petróleo determina apenas 1/3 do preço final do produto, sendo a maior parte desse preço definido através de impostos. Em parte, Ferreira de Oliveira está correcto. O Governo tem aproveitado o facto de a contestação se dirigir às empresas petrolíferas para se defender, e não assumir que quase 60% do preço de 1 litro de gasolina reverte inteirinha para os cofres do Estado.

Portanto, há aqui um braço de ferro entre a Galp e o Estado (o que não deixa de ser irónico, já que a Galp "pertence" ao Estado...). De um lado, temos o Estado a não querer reduzir a carga fiscal sobre os combustíveis. Do outro, temos a Galp, que não quer reduzir os seus lucros, para baixar um pouco do preço da gasolina.

Contudo, acho que houve um aspecto que escapou a Ferreira de Oliveira. Se a sua intenção era demonstrar que o preço do petróleo tem um impacto pouco significativo no preço final dos combustíveis, Ferreira de Oliveira esqueceu-se que o Estado já não aumenta o ISP há largos meses, enquanto que a gasolina e o gasóleo sobem todas as semanas.

Porque será?

terça-feira, 20 de maio de 2008

Fim da adopção para pedófilos

Nos últimos anos, tem-se falado mais de crimes cometidos contra crianças, sobretudo de pedofilia. O caso Casa Pia foi o mais mediático em Portugal, embora tenha havido muitos outros que, apesar de menos falados, marcaram e estragaram a vida de inúmeras crianças inocentes.

O nosso país prepara-se agora para rever alguns aspectos da lei da adopção, de forma a impedir que anteriores condenados por pedofilia venham a adoptar crianças. Não consigo perceber como é que num processo de adopção, caracterizado por ser moroso e burocrático, não se exige aos adoptantes a entrega da folha de registo criminal, para averiguar a existência de eventuais incompatibilidades entre os comportamentos passados e a adopção de crianças.

Mas é óbvio que esta revisão das exigências é benéfica. No entanto, tendo em conta a velocidade dos procedimentos de alterações legislativas, lá para 2010 esta lei deve estar aprovada e a vigorar. Antes disso, há prioridades, como o casamento e a adopção de crianças por parte de homossexuais.

Ele falou

O Presidente da República manifestou-se, finalmente, contra a escalada do preço dos combustíveis.

Já era tempo de Cavaco abandonar a sua tradicional neutralidade e levantar um pouco a voz contra as injustiças sofridas pelos consumidores num mercado dominado pela especulação e pela cartelização.

Com isto, espero que a Autoridade da Concorrência acelere o tal estudo (que já foi encomendado há duas semanas), e que confirme que todos os portugueses estão a ser roubados cada vez que abastecem o depósito dos seus veículos.

Afinal há propostas

Para os que acusam Manuela Ferreira Leite de usar a mera seriedade como imagem política, estão aqui algumas propostas lançadas pela candidata à liderança do PSD.

Concordo com todas elas, sobretudo com as que pretendem dividir as áreas da Saúde e Educação com os privados. Já é tempo de os governantes reconhecerem que, em muitos casos, o Estado presta serviços bem piores do que os privados.

No entanto, para que os privados possam entrar nestas áreas, e servir um universo razoável da população é, ironicamente, preciso que o Estado ajude as pessoas a ter dinheiro para usufruirem das actividades oferecidas pelos privados.

No fundo, tudo se baseia na cooperação entre Estado e privados. Se remarem ambos para o mesmo lado, terão muito a ganhar. Os privados ganharão clientes, o Estado reduzirá despesas.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Nova funcionalidade

Como podem verificar à vossa direita, este blogue ganhou uma nova funcionalidade. A partir de agora, os leitores podem controlar ao vivo a evolução dos preços dos combustíveis.

Além dos agradáveis efeitos informativos, esta nova funcionalidade permitirá confirmar que, no mercado português das gasolinas, a concorrência é praticamente inexistente entre Galp, Repsol e BP.

Um assunto a seguir com atenção, já aqui à direita.

Novamente a Birmânia

Já hoje falei aqui da Birmânia. Mas apetece-me escrever mais algumas linhas, porque estamos a assistir a algo inédito.

A Birmânia foi arrasada por um fortíssimo ciclone. A destruição é imensa, havendo sítios do País que estão totalmente submersos. De imediato (e como é habitual nestes casos), a comunidade internacional uniu-se e procurou ajudar a Birmânia, fechando momentaneamente os olhos a um regime opressivo e castrador das liberdades individuais.

E o que é que a Birmânia faz? Rejeita a ajuda, "faz-se cara", como se costuma dizer.

É esta atitude que eu não entendo. Como é que um país tão destruído pode ainda ser orgulhoso ao ponto de rejeitar a ajuda que lhes oferecem? De facto, é inacreditável.

Ao mesmo tempo, não entendo a atitude da comunidade internacional. Oferecem-se, organizam-se, juntam-se, para nada. Para serem rejeitados e verem os seus esforços serem ignorados. Quase que parece que é a comunidade internacional (e não a Birmânia), que sofreu um desastre natural e está a pedir ajuda.

Por fim, neste post cheio de dúvidas, uma certeza. Numa altura onde muitos não vêem (ou fingem não ver), a Igreja Católica tem tido um papel importantíssimo na escassa ajuda que já pôde ser dada à Birmânia. E acredito que, se realmente houver uma ajuda massiva à Birmânia, os créditos por essa negociação deverão também ser dados à Igreja, que tem mostrado nos últimos dias a razão porque é considerada uma das pedras basilares da diplomacia mundial (entre outros sectores).

A descoberta da pólvora

Manuel Pinho: aumento do preço dos combustíveis é "muito preocupante"

O ministro da Economia descobriu a pólvora. Mas não era nada mau se já se tivesse lembrado disto há uns tempos. Ou se já tivesse baixado o ISP, que engorda os cofres do Estado a cada subida do preço da gasolina.

E quem ajuda?

A Birmânia sofreu com o grave ciclone do conhecimento de todos. As organizações internacionais não conseguem lá entrar, visto que a Junta Militar rejeita qualquer tipo de ajuda.

Hoje mesmo, o representante português da AMI confirmou que os generais também recusaram a ajuda desta organização.

"Penso que a única forma de ajudar por agora seja através da Igreja Católica", comentou Fernando Nobre (o representante português da AMI).

É extraordinário que um país como este rejeite todas as ajudas possíveis e imaginárias, e só queira ser ajudado pela Igreja. Para quem defende o declínio da Igreja Católica, aqui está uma boa prova de que estão errados.

PS - A AMI é uma organização portuguesa, pelo que não faz sentido falar de um "representante portugues". Obrigado ao leitor Fernando Gouveia pela correcção.

Porque nem todas as eleições são "limpas"...

Indícios de irregularidades nas eleições do PSD .

A notícia do PÚBLICO acrescenta ainda que há 39 inscritos a residir em 5 moradas, sendo que existe um apartamento T1 onde vivem 11 pessoas.

Certamente não conhecem os apartamentos alugados por brasileiros. Para eles, 11 pessoas num T1 significa uma reunião intimista...

Corte nos subsídios

As regras da PAC vão mudar, e os agricultores irão sofrer na pele essas alterações. Os subsídios aos agricultores vão diminuir, fragilizando ainda mais o sector agrícola português.

Por enquanto, estas propostas estão apenas em discussão. Mas será que alguém acredita no poder negocial de Jaime Silva? (para quem não saiba - o que é natural -, Jaime Silva é ministro da Agricultura...desde 2005).

Dar e voltar a tirar

Depois das supostas vantagens para os consumidores com o final da taxa de aluguer de contadores, parece que as Câmaras Municipais já arranjaram uma nova taxa.

Às vezes, nem os buracos das ruas são tapados de forma tão rápida...

sexta-feira, 16 de maio de 2008

O Acordo sem consenso

O Acordo Ortográfico foi hoje aprovado na Assembleia da República. A partir de hoje, a língua portuguesa irá mudar para sempre e, como já manifestei aqui, vai mudar para pior.

Independentemente de acordos, ratificações, promulgações e outras trapalhadas, de uma coisa estou certo: o nosso património cultural sofreu um rude golpe, para se adaptar a uma pretensa modernidade que só existe na cabeça dos linguistas mais insensatos.

A petição contra o acordo continua a correr na Internet. Eu já assinei, e desafio todos os visitantes deste blogue a fazerem o mesmo.

Pela língua portuguesa, e por Portugal.

Previsões ou propaganda?

O crescimento económico vai abrandar. Isso já todos prevíamos, até mesmo aqueles que não são especializados em economia.

Ontem, o Governo reviu em baixa as previsões para este ano, prevendo um crescimento de apenas 1,5%, contra os 2,2% que anunciara antes. Hoje, foi o próprio governador do Banco de Portugal que confirmou a tendência de abrandamento económico.

A meu ver, estas previsões do Governo são tendenciosas. É certo que o PIB não vai crescer tanto este ano. Mas será que vai crescer apenas 1,5%? Ou será que o Governo anuncia este número como um número fictício, para depois se congratular e auto-promover com um crescimento de 1,7 ou 1,8%?

Vindo de quem vem, já nada me espanta...

quinta-feira, 15 de maio de 2008

No melhor pano...

Na corrida ao PSD, Pedro Passos Coelho parecia-me um dos candidatos mais sérios (a par de Manuela Ferreira Leite).

O seu discurso liberal, com propostas concretas de redução do papel do Estado agradava-me.

Mas, como se diz habitualmente, no melhor pano cai a nódoa. E Passos Coelho deixou cair uma grande nódoa num pano que, até agora, era quase imaculado.

A defesa do casamento dos homossexuais faz com que Passos Coelho abandone um estilo sério e comedido para passar a ir atrás dos lobbies. Talvez ele precisasse de deixar clara esta ideia para ganhar alguma simpatia junto do eleitorado.

Mas perdeu a compostura do discurso sério e elevado que vinha fazendo.

Somos cada vez menos...

Leio no PÚBLICO que, pela primeira vez em muitos anos, o número de mortes ultrapassou o número de nascimentos.

Estes números, além de confirmarem o envelhecimento da nossa população, demonstram sobretudo que em Portugal a natalidade é baixíssima.

Depois do atentado à natalidade que foi a legalização do aborto, é urgente começar a tomar medidas a favor da natalidade. Medidas concretas, em vez das habituais medidas simbólicas.

quarta-feira, 14 de maio de 2008

Depois da infracção...a multa

PSD e BE querem que José Sócrates seja multado por fumar em avião

Desculpas esfarrapadas

Agrada-me a confissão de Sócrates, assumindo que fumou no avião. Mas sejamos realistas: Sócrates só o fez porque se viu confrontado com provas irrefutáveis do seu acto, e porque não quis entrar num "bate boca" com o repórter do Público.

É de realçar ainda o facto de as desculpas do nosso "engenheiro" serem tipicamente portuguesas. Sócrates refugiou-se no desconhecimento da lei para justificar as passas a bordo. Que outro português desperdiçaria a resposta do "desconhecimento da lei"?

Mas Sócrates, pelo cargo que ocupa, não pode dar as mesmas desculpas esfarrapadas que qualquer um de nós daria. Alguém acredita que Sócrates não sabia que era proibido fumar a bordo de um avião? O mesmo Sócrates que fez aprovar uma lei anti-tabágica assassina das liberdades individuais dos fumadores?

Não me parece

Desculpas de mau fumador

Sócrates pede desculpa por ter fumado no voo para a Venezuela

O apoio da ilha

Como já se esperava, Alberto João ficou mesmo pela Madeira e apoia Santana Lopes.

Para ler no Público

Novo aumento...

Mais uma vez a gasolina aumentou. É urgente que a Autoridade da Concorrência acabe o tal estudo que foi pomposamente anunciado na Assembleia da República, mas que agora, perante esta nova subida, deve estar esquecido numa gaveta qualquer.

Esta situação é insustentável e tem de ser travada.

A marioneta do petróleo

«Sócrates, visivelmente cansado, permanecia calado ao seu lado, batendo palmas quando Chávez pedia aplausos para quem tinha acabado de firmar um acordo. Ou quando Chávez, o mestre de cerimónias, que chamava ministros e empresários e dava a assinar os documentos, explicava os procedimentos: "Estou a copiar o protocolo sandinista, de Daniel Ortega". Aí Sócrates não se conteve: "Presidente, estás haciendo muy bien!"»

É incrível aquilo que nós, os pobres, fazemos por uns barris de ouro negro...

Autobiografia


O Demokrata lançou-me o amável desafio de, em poucas palavras e com uma imagem, escrever uma autobiografia.

Como ele recorreu a um poema, vou aproveitar a deixa:
«Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia,
Não há nada mais simples.
Tem só duas datas - a da minha nascença e a da minha morte.
Entre uma e outra todos os dias são meus.» (Fernando Pessoa/Alberto Caeiro)
Lanço este desafio aos seguintes colegas da blogosfera:

Ainda sobre as passas de Sócrates

Sócrates ia num avião e fumou. Não me interessa se fumou 1 cigarro, um maço inteiro ou se deu apenas uma passa. Sócrates fumou. Ponto final.

É inegável que Sócrates conhecia a lei, já que foi o seu Governo que a aprovou no meio de uma enorme polémica. Ainda que não a conhecesse, isso não era desculpa, visto que o desconhecimento da lei não é desculpa para o seu não cumprimento. E isso Sócrates tem obrigação de saber.

O que mais choca no meio de tudo isto é ter sido o próprio Sócrates a violar a lei. O homem inflexível, sem vícios e dependências, vê-se fechado num avião e tudo muda. Qual será a moralidade que Sócrates terá de hoje em diante para incentivar ao cumprimento da lei do Tabaco? Como é que ele vai poder pedir aos portugueses que respeitem uma lei que ele violou de forma flagrante?

No mínimo, Sócrates deveria assumir o erro e pedir desculpa. Não lhe ficava mal. Mas, obviamente, ele não o irá fazer, preferindo com certeza dizer que notícias como esta fazem parte de uma cabala do jornal PÚBLICO contra si, que já vem desde o tempo da suposta licenciatura na Universidade Independente.

É esta falta de carácter (misturada com uma dualidade de critérios) que faz com que eu não suporte Sócrates. Em certos momentos, Sócrates é o expoente máximo da defesa do cumprimento das leis. Quando lhe convém fura as leis e fica dependente de ervas embrulhadas em papel.

Sócrates violou a lei do Tabaco

Não há dúvidas. Sócrates violou mesmo a lei do tabaco. E não sou só eu que o digo. São alguns constitucionalistas, alguns até da mesma área política do nosso "engenheiro"

Para ler no PÚBLICO.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Afinal, em que ficamos?

TAP garante que nos voos fretados se pode fumar a pedido do cliente

Isto a propósito de Sócrates ter fumado na viagem para a Venezuela.

O que é estranho é esta reacção oficial chegar depois das seguintes declarações:

«João Raio, supervisor do voo TAP, contactado pelo PÚBLICO ainda durante o voo, começou por dizer que aquele era “um voo fretado” e que “às vezes” aquelas situaçõs aconteciam. Questionado pelo PÚBLICO se era ou não proibido disse não ter dúvidas que era. “Às vezes há estas situações de excepção”. Contou então como as coisas aconteceram. “Algumas horas depois de o voo ter partido o ministro Manuel Pinho foi fumar. Ninguém me tinha perguntado se se podia ou não fumar. Fui falar com o comandante que não gostou da situação, mas que disse para arrranjar uma zona para fumar, se não ainda acabariam a fumar no 'cockpit'”.»

Têm medo de quê?

O PS rejeitou hoje um requerimento do CDS-PP para ouvir no Parlamento o inspector-geral da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), António Nunes, sobre a alegada "fixação de objectivos" quantificados aos inspectores.

Será outra boa ocasião para utilizar o direito potestativo de chamada de pessoas a depor nas Comissões da Assembleia da República.

Se tivesse sido George W Bush...

Parece que Obama cometeu uma gaffe num discurso de campanha. Para ele, os EUA têm 57 estados.

Esta informação foi obtida no blogue Demokratia, e a fonte original, também lá referida, pode ser consultada aqui.

É o tabaco, estúpido!

O primeiro-ministro, José Sócrates, o ministro da Economia e Inovação, Manuel Pinho, e vários membros do gabinete do chefe do Governo violaram a proibição de fumar no voo fretado da TAP que ligou Portugal e Venezula e que chegou às cinco horas da manhã de ontem a Caracas (hora de Lisboa, 23h30 na capital venezuelana). O assunto foi muito comentado durante o voo por membros da comitiva empresarial que acompanha Sócrates e causou incómodo a algum pessoal de bordo.

Venezuela

A Venezuela não é um país rico. A Venezuela está do outro lado do oceano e é governada por um pseudo-ditador. É muito provável que os direitos humanos não sejam respeitados na Venezuela. A liberdade é um direito muito restringido na Venezuela. A Venezuela negocia e dá apoio às FARC, que são uma força terrorista.

Sócrates vai à Venezuela. Irá condenar estes abusos de poder? Irá insurgir-se contra o facto de as FARC serem respeitadas pela Venezuela? Irá exigir um maior respeito pelos direitos humanos?

Não.

Por duas razões. Em primeiro lugar, a Venezuela está a nadar em petróleo, e é preciso arranjar alternativas aos países árabes. Mas será que a personalidade esquizofrénica de Chávez dá mais segurança do que a dos governantes dos países árabes? É importante não esquecer que Chávez, na Venezuela, quer, pode e (por enquanto) manda. Portanto, nada garante que Chávez não resolva, de um dia para o outro, fechar a torneira e deixar Portugal sem petróleo.

Por fim, é preciso não esquecer que, ideologicamente, Chávez é de Esquerda. Se Chávez fosse assumidamente de Direita, será que Sócrates ia à Venezuela? Será que a comunidade internacional mantinha o silêncio ensurdecedor que rodeia as medidas anti-democráticas de Chávez? Certamente que não. Fosse Chávez de Direita e a comunidade internacional condenaria em peso o seu Governo. Porque se a ditadura e os abusos aos direitos humanos partem da Esquerda, não há nada nem ninguém que os censure.

No fundo, Chávez é um sortudo. Tem petróleo para dar e vender, governa como quer porque é de esquerda e não tem de aturar a comunidade internacional.

E quando os médicos não aparecem ou deixam os doentes 4 e 5 horas à espera?

O Conselho Nacional de Ética e Deontologia Médicas (CNEDM) da Ordem dos Médicos (OM) propõe, entre outras medidas, na sua proposta de revisão do Código Deontológico da classe, que os médicos passem a cobrar até 20% por um acto médico, caso o doente não compareça à consulta e não avise.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

A ASAE funciona mesmo por objectivos

Afinal a ASAE funciona mesmo por objectivos. Paulo Portas tinha razão, e a divulgação deste documento foi extremamente pertinente.

Como sempre, o sr. Nunes, inspector-geral da ASAE, meteu os pés pelas mãos. Começou por negar a existência do documento, depois disse que o documento apenas existia na delegação do Norte, e há uns dias acabou por admitir o que já se sabia: a ASAE tem objectivos definidos, devendo prender multar e importunar um certo número de pessoas por ano.

O mais engraçado de tudo é que a ASAE é um órgão de polícia criminal, tal como a PJ, por exemplo. Será que a PJ também tem uma lista com objectivos para 2008? Será legítimo que um órgão de polícia criminal aja tendo por base um certo número de detenções e contra-ordenações, em vez de multar e deter, com bom senso, quando estiver na presença de uma real infracção?

Com tudo isto, ainda não percebo o que é que o sr. Nunes continua a fazer à frente da ASAE. Bem que podia seguir o exemplo do seu colega director da PJ e sair enquanto é tempo.

domingo, 11 de maio de 2008

Viva os direitos humanos!

Nos 27 países da UE é feito um aborto em cada 27 segundos, o que representa um milhão e duzentos mil abortos anuais, segundo um estudo sobre a evolução da família na Europa em 2008 e ontem apresentado no Parlamento Europeu em Estrasburgo. O documento foi elaborado pelo Instituto de Política Familiar (IPF), uma entidade civil internacional que se define como independente, não vinculada às administrações públicas, partidos ou organizações religiosas.

"Pacheco-pereirices"

É estranha a reacção de Pacheco Pereira à entrevista de Manuela Ferreira Leite à RTP 1. De uma pessoa como ele, seria de esperar que a sua análise se concentrasse na boa ou má transmissão de ideias por parte de Ferreira Leite.

Mas não. Pacheco Pereira preferiu discorrer acerca de rugas. E atenção que isto não tem nada que ver com rugas na roupa ou anúncios à "5 à sec". Pacheco Pereira ficou abespinhado por o realizador ter feito grandes planos de Ferreira Leite, que mostravam bem as rugas da sua cara, sendo que isso passa uma ideia de uma pessoa velha, cansada e ultrapassada.

Estes devaneios cinematográficos fazem-me pensar que JPP, se fosse realizador, seria para Manuela uma espécie de Leni Riefenstahl. Com uma atenção desmesurada com os pormenores, numa ânsia de transmissão de mensagens subliminares que proporcionem uma escolha inconsciente por parte dos eleitores.

Espero que JPP tenha visto a entrevista de Scolari na 5ª Feira. Eu vi, e os grandes planos foram tantos que quase consegui contar os pêlos do nariz do seleccionador nacional. Claro que, a manter-se a teoria de JPP, estes grandes planos pretenderiam colocar Domingos Paciência, um treinador mais jovem, à frente da nossa selecção...

O Tio Pátinhas

Provavelmente farto dos trocadilhos com o seu nome, o candidato à presidência do PSD Patinha Antão resolveu fazer um restyling ao seu nome.

A partir de agora, chamem-lhe Mário Pátinha Antão.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pobres e mal agradecidos

Houve um ciclone horrível na Birmânia, onde é provável que tenham morrido muitos milhares de pessoas.

De imediato, a ONU e outras organizações ofereceram a sua ajuda. A ditadura da Birmânia aceita, mas ainda impõe condições, dificultando a entrada da ajuda.

Eu, se fosse a estas organizações, nem sequer lá ia.

Palmas para Geldof

Bob Geldof veio a Portugal dar uma conferência. O evento decorreu num hotel chique, onde cada convidado pagava bem para assistir ao discurso de Geldof.

Mas quem é Geldof? Para mim,é um músico. Com jeitinho, talvez possa ser considerado um defensor de causas. Mas acima de tudo é um músico.

Ora, Bob Geldof não veio cá falar de música, nem sequer deu um concerto. Veio falar de economia. Portanto, houve especialistas em economia que pagaram para ouvir um músico a falar de economia. Só por isso, Geldof já devia receber um prémio.

Palmas para ele.